Avanço do acordo de paz depende não só do desarmamento do Hamas, mas também da retirada de militares de Israel da Faixa de Gaza
Resumo: o avanço do acordo entre Israel e Hamas depende da desmilitarização do grupo e da retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, em meio a uma grave crise humanitária que afeta milhões de palestinos.
O Hamas concordou em dissolver seu governo em Gaza e facilitar uma administração civil transitória, após meses de negociações mediadas por EUA, Egito, Catar e Turquia, o que abriu caminho para a segunda fase do acordo.
A implementação completa depende da retirada das tropas de Israel, conforme o texto do tratado. Um porta-voz do Hamas, na Jordânia, expressou temores de que o governo de Netanyahu não cumpra a exigência e mantenha forças no território.
Dados da ONU sobre a crise em Gaza desde 2023:
- 73.335 palestinos mortos, sendo 21.283 mil crianças;
- 174.283 mil palestinos feridos;
- 1,4 milhão de pessoas (67% da população) em insegurança alimentar;
- 1,9 milhão em risco de insegurança alimentar aguda até dezembro de 2026;
- 3 mil crianças internadas por desnutrição somente em junho;
- 77% da malha viária destruída;
- 90% da infraestrutura energética destruída.
Condições do acordo: a desmilitarização do Hamas está vinculada à retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza.
Um porta-voz do Hamas afirmou ao Metrópoles que teme o descumprimento por parte de Netanyahu, com as Forças de Defesa de Israel mantendo presença no território.
Segundo Khaled Qaddoumi, a administração israelense descumpriu pontos do acordo firmado há cerca de nove meses, incluindo bombardeios após o cessar-fogo, com mais de 1,2 mil mortos desde outubro de 2025.
Israel sustenta que as operações visam destruir o Hamas, enquanto setores conservadores do governo alegam que a proposta de Trump não é aceitável.
“Nossa aprovação para encontrar uma solução para as armas pesadas foi iniciada por um consenso nacional entre diferentes facções palestinas, e a condição para isso é: pare de matar o novo povo, saia de Gaza, abra as fronteiras para alimentos, água e materiais de construção, permita que o comitê nacional exerça pleno poder local, e então o povo palestino chegará a um acordo que possa governar as armas e a paz entre nós”, declarou Qaddoumi.
Impasse do lado israelense: a retirada só deve ocorrer com uma desmilitarização “genuína” do Hamas, segundo autoridades; alas mais conservadoras não aceitam a proposta de Trump.
Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional, pediu que os assassinatos em Gaza continuem, argumentando que parar as ações seria permitir que o Hamas se reorganize.
O embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, disse que o futuro dos palestinos depende da seriedade de ambos os lados em cumprir a segunda fase ou de outra iniciativa que traga esperança.
“O que esperamos, no momento, é que as mortes de palestinos parem. O problema na Faixa de Gaza sempre será a ocupação, mas se o Hamas se desarmar e Israel não retirar suas tropas, ou vice-versa, poderemos ter de volta um ciclo de violência que afeta os inocentes”, afirmou o diplomata.


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