Turismo criativo e de experiência atrai novo perfil de visitante para a Bahia

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A Bahia redefine o turismo cultural ao transformar visitantes em participantes de histórias vivas, indo além dos cartões-postais tradicionais. Pelourinho, Elevador Lacerda e Porto da Barra convivem com experiências que revelam saberes locais, sabores, ritmos e memórias, gerando memórias afetivas que ficam para além das fotos. Hoje, o viajante busca imersões autênticas: capoeira, oficinas de culinária, rodas de samba e encontros com quem mantém a tradição viva.

Mestre Bamba, nascido Rubens Costa Silva, percebe essa mudança: os turistas querem viver a cultura de verdade, entender a história da capoeira e participar ativamente, aprendendo berimbau, atabaque e a roda. Em Salvador, a Associação de Capoeira Mestre Bimba (ACMB) foi criada em 1975 pelo Mestre Vermelho, mantendo vivo o legado de Mestre Bimba (1899-1974), criador da Capoeira Regional e fundador do primeiro Centro de Cultura Física Regional, reconhecido officialmente após a legalização da prática em 1937. Hoje, mestres do Pelourinho convidam quem visita a cidade a aprender fazendo, em comunidade.

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A professora de capoeira, samba no pé e dança afro-brasileira Ingride Banzo, de Salvador, fundou em 2022 o projeto Experience Cultural Exchange. A ideia é transformar aulas em experiências de vida: capoeira, samba, percussão, culinária e encontros com artistas locais, criando comunidades virtuais que ligam alunas de diferentes países à Bahia. Hoje, as atividades já se expandem ao Rio de Janeiro, com turmas que aprendem, visitam espaços culturais e convivem com mestres e tradicionais.

À frente da Like a Sotero, Sayuri Koshima foca no afro-turismo como eixo, oferecendo roteiros afrocentrados no Centro Histórico de Salvador. O walking tour afrocentrado aproxima visitantes da história negra e da gastronomia local, como o acarajé, com passagens por quilombos como Baiacu, na Ilha de Itaparica, e espaços da Associação Brasileira de Afro Turismo (Abrafro). Sayuri, advogada e professora, ressalta que a narrativa é decolonial, revelando vidas de resistência e identidade por meio de cada passo.

No campo do turismo religioso comunitário, Hilda Almeida dos Santos, CEO da Mambré Agência, conduz roteiros que passam por igrejas, mosteiros e pela comunidade dos Alagados. Os visitantes são convidados a caminhar, ouvir e dialogar, entendendo a fé como força transformadora. O destaque é a experiência de entrar descalço na Igreja dos Alagados, um momento que convida à empatia com a realidade local e à compreensão de como a fé pode alimentar esperança e mudanças sociais.

Turistas na comunidade dos Alagados, levados por Hilda Almeida, CEO da Mambré Agência de Turismo Religioso Comunitário
Turistas na comunidade dos Alagados, levados por Hilda Almeida, CEO da Mambré Agência de Turismo Religioso Comunitário – Foto: Divulgação

Segundo Hilda, os roteiros revelam projetos sociais, cultura local, culinária e pessoas. O Alagados deixa de ser apenas um território desafiador para se tornar uma comunidade com memória, fé e capacidade de transformar vidas. Os visitantes chegam com perguntas — às vezes preconceitos — mas saem com um olhar mais humano e a vontade de apoiar iniciativas de educação ambiental, geração de renda e preservação de espaços públicos.

A experiência de conhecer a Bahia vai além de roteiros; é uma imersão que conecta pessoas, histórias e economias locais. Se você busca uma viagem com propósito, este movimento de turismo de pertencimento oferece aprendizado, respeito e memórias duradouras. E você — qual aspecto da cultura baiana gostaria de viver de forma autêntica? Compartilhe suas ideias nos comentários.

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