Resumo: investidores globais fazem um reequilíbrio de carteiras, deslocando recursos da IA para ativos tangíveis no Brasil, numa estratégia conhecida como HALO. Empresas com ativos físicos tendem a oferecer maior previsibilidade de caixa e menor risco de obsolescência, especialmente em um cenário de volatilidade tecnológica e ajustes nos juros reais.
O conceito HALO, sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence, reúne setores como petróleo, energia, saneamento, infraestrutura, telecom e imóveis. O Goldman Sachs destaca que papéis com esses ativos vêm se saindo melhor do que ações de tecnologia desde 2025 em várias regiões, fortalecendo a ideia de diversificação na América Latina, enquanto o MSCI LatAm opera em torno de 9,5 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, descontado em relação aos EUA e Europa.
Para a região, a tese aponta fatores favoráveis: a América Latina é grande exportadora de commodities, tem peso na produção global de petróleo e oferece valuations atrativos. Com o contexto de juros reais em trajetória de normalização, esses papéis de ativos tangíveis ganham espaço frente às ações de tecnologia, especialmente no Brasil.
Entre as ações brasileiras, o Goldman Sachs traz as seguintes recomendações: Petrobras (PETR4; PETR3) e PRIO (PRIO3) pela combinação de valorização e geração de caixa; Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Axia (AXIA3) como utilities de qualidade com proteção contra inflação; Suzano (SUZB3) como núcleo do setor de commodities; Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) entre as opções de siderurgia. No âmbito de proteínas e alimentos, MBRF (MBRF3) aparece pela plataforma global e pela logística integrada. Rede D’Or (RDOR3) entra pela escala hospitalar com ativos de longa duração; no imobiliário, Multiplan (MULT3) brilha, enquanto Cyrela (CYRE3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) completam a lista de 14 ações destacadas.
Embora haja espaço para ganhos, o estudo alerta para riscos como quedas nos preços de commodities, alta dos juros nos Estados Unidos, mudanças políticas na região e um eventual retorno do apetite global por IA, o que pode favorecer ações de tecnologia. A combinação de ativos físicos, geração de caixa sólida e valuations mais descontados faz da região uma alternativa interessante para quem busca diversificação fora do universo puramente tecnológico.
E você, tem considerado investir em ações HALO no Brasil para diversificar o portfólio? Compartilhe nos comentários suas perspectivas sobre Petrobras, Suzano ou Rede D’Or e quais setores você acredita que poderão surpreender nos próximos meses.