
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira, 5, que tem duas filhas para que possam cuidar dele na velhice, ao mesmo tempo em que apresentou Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice em sua chapa.
Ao falar sobre o papel das mulheres no cuidado com familiares, o parlamentar destacou que, muitas vezes, elas assumem essa função dentro das famílias, reforçando a percepção de que o cuidado permanece historicamente ligado às mulheres.
“Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade”, afirmou Flávio Bolsonaro. Ele é pai de duas meninas, hoje com 12 e 14 anos.
A fala de Flávio guarda ecos de uma referência pública anterior: em 2017, o então deputado Jair Bolsonaro comentou o nascimento de Laura, sua única filha mulher, dizendo que, após cinco filhos homens, “deu uma fraquejada” e nasceu uma menina.
Apesar da distância temporal entre as declarações, ambas as falas ligam o nascimento de uma filha a comportamentos atribuídos às mulheres, associando o papel maternal a um valor central na família e na construção da narrativa pública de cada líder.
O diálogo ocorre no contexto do anúncio de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio, sinalizando uma estratégia que mistura pautas familiares com a agenda política, em meio ao cenário de eleições e de disputa pelo protagonismo no eixo do governo.
Essa trajetória desperta um debate relevante sobre os papéis de gênero na vida familiar brasileira e como tais temas aparecem nos discursos de campanha, influenciando sentimentos e percepções do eleitorado.
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