Haddad e Tarcísio de Freitas travaram, no primeiro debate da eleição estadual, um embate direto sobre a relação financeira entre a União e o governo de São Paulo, incluindo repasses, dívida e grandes projetos. A discussão girou em torno da ajuda federal ao Estado, do papel dos financiamentos e do que foi ou não reconhecido pelas prefeituras, com o caso da Favela do Moinho ganhando destaque.
Haddad acusou o governador de receber apoio de Brasília sem reconhecer publicamente esse respaldo, enquanto Tarcísio citou operações de crédito que dependem de autorização federal e ainda não avançaram para o Senado. O ex-ministro da Fazenda também questionou a relação com as prefeituras, dizendo que recursos bilionários foram destinados a projetos do Palácio, como a nova sede administrativa, enquanto municípios enfrentaram dificuldades para receber repasses.
Tarcísio, por sua vez, detalhou financiamentos que, segundo ele, estariam travados na Câmara ou no Senado: linhas para a Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela e a duplicação da ligação entre Caraguatatuba e Ubatuba, além de financiamentos com o Banco Europeu e o Banco Mundial. Ele questionou por que esses recursos não avançam, acusando entraves que não seriam republicanos.
Haddad destacou a dívida paulista e citou abatimentos de serviço da dívida como benefício pouco comum, afirmando que São Paulo recebeu cerca de R$ 108 bilhões. Tarcísio rebateu, dizendo que o custo da dívida é elevado e que os números de redução não refletem a realidade das finanças estaduais.
O debate também abordou a Favela do Moinho, com Haddad lembrando a participação federal no reassentamento das famílias e ressaltando que não houve desconsideração do apoio federal. O acordo para financiar novas moradias, em maio de 2025, previa imóveis de até R$ 250 mil com participação de ambas as esferas. Em julho, a Secretaria do Patrimônio da União formalizou a cessão de um terreno de 61,3 mil m² para o Estado, para criar o Parque do Moinho; antes disso, o processo havia sido interrompido por questionamentos sobre a descaracterização de casas desocupadas.
O episódio mostra que, mesmo com disputas políticas, a cooperação entre União e Estado é necessária para obras que dependem de ambos os lados, como infraestrutura e habitação. Lula e Tarcísio seguem negociando projetos que envolvem os dois governos, refletindo uma relação que não se reduz apenas a diferenças partidárias, mas a acordos que afetam o dia a dia das cidades.
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