Patrimônio histórico e afroempreendedorismo na Bahia caminham juntos, fortalecendo comunidades locais. A Bahia está reconfigurando o turismo ao associar a preservação da herança cultural negra à geração de empregos e renda. Em Salvador, Lençóis e outras cidades, tombamentos pelo Iphan e Ipac protegem patrimônio arquitetônico e manifestações culturais, enquanto a cultura afrodescendente assume protagonismo na economia criativa. O resultado é um turismo de matriz afro-centrada que descoloniza narrativas antigas e amplia oportunidades, com caminhos como o Caminho dos Orixás ganhando alcance internacional por meio de plataformas como Feel Brasil.
À frente dessa transformação, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) trabalha para estruturar cadeias produtivas — da formação ao crédito, da comercialização à inovação. Programas como CrediAfro e Afrocolab ampliam mercados para produtos de turismo de base comunitária, artesanato e gastronomia de matriz africana. No conjunto de afroempreendedores baianos, 54% são mulheres e 71% faturam até quatro salários mínimos mensais. O programa já beneficiou centenas de negócios e, até 2025, somou mais de 200 projetos apoiados; em 2026, ultrapassou 3.500 atendimentos, com a maioria dos contratos destinados a mulheres.
Para o Sebrae Bahia, o afroempreendedorismo é um dos principais vetores para tornar o turismo da Bahia mais autêntico, inclusivo e sustentável. Ao valorizar saberes ancestrais e o patrimônio cultural, a atividade gera renda e coloca as comunidades no centro da experiência turística. No estado, o foco tem sido a qualificação de produtos de turismo de experiência, incluindo o roteiro Caminho dos Orixás, integrado à plataforma internacional Feel Brasil, que reúne 101 experiências brasileiras para mercados estrangeiros e amplia a visibilidade de Salvador no cenário global.
Na Chapada Diamantina e no Recôncavo, o patrimônio histórico se cruza com a natureza, fortalecendo identidades locais. Lençóis, Rio de Contas, Mucugê e Igatu concentram bens tombados pelo Iphan e Ipac, com Cabeças de Ouro da história diamantina. Lençóis, em especial, tem uma população em que a presença negra é marcante (74% segundo dados do IBGE de 2022), e celebrações como a Festa do Senhor Bom Jesus dos Passos e rituais de terreiro reforçam o título de Patrimônio Cultural do Brasil. O conjunto histórico‑cultural dialoga com a Paisagem Cultural, onde natureza, memória e cultura se completam para atrair turismo de base comunitária, gastronomia, artesanato e música.
Esses movimentos mostram que preservar o patrimônio não é apenas conservar, mas ativar economias locais e sustentar identidades. Com políticas públicas que promovem crédito, qualificação e acesso a mercados, a Bahia consolida-se como referência de turismo responsável, inclusivo e economicamente justo. E você, já experimentou algum roteiro de turismo de base comunitária na Bahia? Conta pra gente nos comentários quais experiências mais chamaram sua atenção e como a cultura local impacta sua percepção sobre viagem e convivência.