Audiência pública cobra a desapropriação do Cemitério dos Africanos

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Resumo em poucas palavras: a segunda audiência pública sobre o Cemitério dos Africanos, no Campo da Pólvora, definiu a criação de uma Comissão Interinstitucional e a interrupção de atividades da Santa Casa de Misericórdia no local, abrindo caminho para reconhecer o espaço como memorial e promover reparação histórica à população negra escravizada.

Na reunião, historiadores, arqueólogos, representantes do movimento negro e lideranças políticas debateram propostas para preservar o sítio e transformar o espaço em um marco de memória afro-brasileira, com a ideia de criar um memorial ou museu e divulgar uma carta aberta à sociedade para orientar ações de reparação.

Uma pesquisa arqueológica apresentada em 21 de outubro de 2025, conduzida pela arquiteta Silvana Olivieri da Ufba, aponta vestígios de mais de 100 mil pessoas enterradas ao longo de 150 anos no Cemitério dos Africanos, na Pupileira. Entre os registros estariam africanos escravizados, seus descendentes e, entre as vítimas, líderes da Conjuração Baiana (1798) e da Revolta dos Malês (1835).

Encaminhamentos

Entre as decisões, foi criada uma Comissão Interinstitucional, composta por pesquisadores da Ufba, Ministério Público, Iphan, Fundação Palmares, Ipac e secretarias estaduais, para planejar próximos passos e ações no espaço.

Também foi sugerida a elaboração de uma carta aberta à sociedade com medidas de reparação, além da proposta de desapropriação do imóvel pelo Estado, com a retirada da gestão da Santa Casa de Misericórdia e destinação do local para atividades culturais.

Apelos por preservação

O professor e advogado Samuel Vida defende tratar o cemitério como campo santo, território sagrado que guarda memória sensível da escravização. A arqueóloga Jeane Dias reforçou a necessidade de reconhecer publicamente a dignidade das pessoas ali enterradas e reumanizar a narrativa histórica.

Ao longo da discussão, ficou claro o propósito de transformar o espaço em memória viva da população negra, reconhecendo suas raízes e promovendo ações que resgatem a dignidade de quem foi invisibilizado por décadas.

O debate segue aberto, convidando a população a acompanhar os próximos passos da Comissão e a participar ativamente das iniciativas de preservação, memória e reparação histórica neste marco da cidade.

Participe você também: comente abaixo suas ideias e perspectivas sobre como reconhecer e preservar esse capítulo importante da nossa história.

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