Estiagem já afeta a produção agrícola, reduz o nível dos rios e aumenta o risco de incêndios florestais no estado

O Governo de Roraima declarou situação de emergência em decorrência da estiagem que atinge o estado. A medida foi formalizada na quarta-feira (2 de setembro) pelo governador Soldado Sampaio e terá validade por 180 dias.
Como parte das ações, foi criado o Gabinete Integrado da Operação El Niño 2026-2027, que reunirá 19 órgãos estaduais para coordenar medidas de prevenção e resposta aos efeitos da seca, escassez de água e incêndios florestais.
A decisão se baseia em prognósticos apontando uma estiagem de forte intensidade em Roraima. O governador ressaltou que o período seco já impacta a produção agrícola, diminui o nível dos rios e compromete o abastecimento de água.
“O setor produtivo já acumula perdas significativas, algo em torno de 30% ou mais na produção de milho, soja e outros grãos. Além disso, já estamos observando a diminuição dos níveis dos nossos rios e igarapés, assim como focos de incêndio”, afirmou Sampaio.
Dados do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), atualizados em 27 de agosto, evidenciam a gravidade da situação dos rios. Na estação de Boa Vista, no rio Branco, o nível alcançou 1,38 metro, uma queda de 70,3% em relação à média histórica de agosto, que é de 4,64 metros. Em Caracaraí, o nível foi de 2,05 metros, 62,7% abaixo da média mensal de 5,50 metros.
A redução nos níveis dos rios prejudica a navegabilidade, bem como o abastecimento e as atividades produtivas de comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas. Como intervenção emergencial, a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) iniciará a perfuração de poços em áreas afetadas pela falta de água.
Focos de calor
A estiagem também favorece a ocorrência de incêndios. Até 27 de agosto, Roraima registrou 87 focos de calor, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse número já supera o recorde anterior para agosto, que era de 78 focos, registrado em 2023.
Comparando com agosto de 2025, onde foram contabilizados apenas 37 focos, o aumento é de 135%.
Para intensificar o combate aos incêndios, o governo anunciou a contratação de 157 brigadistas, com a convocação adicional de outros 47. Os produtores foram orientados a adotar medidas preventivas, como a construção de aceiros, e a evitar o uso indiscriminado do fogo durante a estiagem.


