Escritor baiano Yves São Paulo se destaca em premiação literária nacional – O escritor de Feira de Santana, Yves São Paulo, é o único representante da Bahia entre os finalistas do 23º Prêmio SESC de Literatura, uma das mais relevantes premiações voltadas para escritores iniciantes no Brasil. Sua coletânea de contos figura entre as 15 obras selecionadas para a etapa final, que contou com 806 inscrições.
No total, o Prêmio SESC de Literatura recebeu 2.969 livros em 2026, contemplando as categorias Conto, Romance e Poesia. Para Yves, alcançar a final é uma confirmação de que seu trabalho pode ressoar com o público, mesmo sendo um autor inédito na ficção.
“Ser um autor inédito sempre traz inseguranças sobre se as histórias encontrarão leitores. Saber que meu livro chegou tão longe em um prêmio respeitado é um sinal positivo. Isso me motiva a continuar escrevendo,” comenta o autor.
Interseção entre cinema e literatura
Yves São Paulo, que também é professor e cineasta, trilhou um caminho que inclui filosofia, cinema e literatura de não-ficção. Em 2020, lançou o livro “A metafísica da cinefilia” e participou da curadoria de diversas coletâneas e traduções. De 2015 a 2022, foi editor da Revista Sísifo e, em 2025, trabalhou na produção do documentário “Feiraguay”. Antes de sua participação no Prêmio SESC, o autor foi reconhecido pelo Prêmio Literário Cidade de Manaus em 2024, na categoria Melhor Livro de Ensaio.

A conexão com o cinema influencia diretamente a narrativa de Yves. Ele observa que a linguagem audiovisual e a vontade de escrever seus próprios roteiros se refletem nos contos de sua coletânea finalista. “O cinema é uma grande parte da minha vida e aprendi a contar histórias assistindo a filmes. Essa vontade de cinema e literatura se entrelaçam em minhas histórias,” explica.
Fantasia e realidade entrelaçadas
A coletânea finalista apresenta contos que flertam com o fantástico, influenciados pelo realismo mágico. Entre suas referências estão escritores como Júlio Cortázar e Roberto Bolaño. Yves enfatiza a importância de combinar elementos fantásticos com cenários reconhecíveis, mesmo que não representem cidades reais. “Gosto de misturar fantasia com um contexto que o leitor reconhece como familiar,” conclui.
A obra ainda não possui data de publicação prevista e permanece uma obra inédita que conseguiu a proeza de chegar à fase final de uma premiada seletiva nacional.