Defesa de Lulinha aponta que documentos da PF desassociam-no de fraudes no INSS

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), emitiu uma nota nesta sexta-feira (4/9) informando que os relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) que vieram à tona em meio à disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmam que não há ligação entre Fábio Luís e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apuradas pela Operação Sem Desconto.
O advogado Guilherme Suguimori Santos, responsável pela defesa, destacou que afirmações sobre a falta de conexão entre Lulinha e o esquema fraudulento foram reiteradas, ressaltando que a defesa sempre contestou qualquer tipo de ligação, fato que teria sido evidenciado após novos inquéritos serem criados de forma “alheia à operação”, levantando indícios de “pescaria probatória” e direcionamentos ilegais.
O advogado apontou ainda que a suposta contaminação processual já havia sido colocada em questão pela defesa, sendo agora corroborada pelos relatórios divulgados pela PF. Os documentos contêm observações sobre a legitimidade e os limites de inquéritos realizados pela corporação.
A defesa reafirma que Fábio Luís está à disposição das autoridades e confia na possibilidade de demonstrar sua inocência. Além disso, espera que o Judiciário não ignore possíveis ilegalidades e que, caso confirmadas, sejam motivo para arquivar de maneira definitiva as investigações.
Crise entre Moraes e Mendonça
A manifestação da defesa ocorre em um contexto de tensões no STF. Recentemente, Moraes acionou o presidente Edson Fachin em relação ao Inquérito das Fake News, acusando Mendonça de abusos de autoridade e improbidade administrativa nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, as quais investigam questões financeiras e de influência relacionadas ao Banco Master e ao INSS.
O ponto central do conflito foi a decisão de Mendonça em retirar o sigilo de uma investigação sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro que indicavam favorecimento por parte de Moraes.
Moraes, por sua vez, classificou a atitude de Mendonça como uma usurpação das investigações e um possível direcionamento político. A análise dos documentos, porém, sugere que algumas das hipóteses apresentadas carecem de base sólida, com a própria PF classificando-as com grau de confiança “baixo” ou “moderado”. Além disso, o material possui caráter temporário, não se configurando como um relatório final.