Preço da carne no Brasil deve cair? Entenda o impacto da UE na economia e nos frigoríficos

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A União Europeia (UE) decidiu suspender temporariamente a importação de carnes (bovina e de aves), ovos e mel do Brasil, uma medida que gera preocupações no agronegócio nacional. O bloqueio entrou em vigor, surpreendendo muitos investidores e consumidores.

Por trás da decisão técnica de Bruxelas, encontra-se um complexo cenário que pode impactar o bolso do consumidor brasileiro e as maiores empresas da B3. Para quem planeja as compras da semana ou um churrasco no feriadão de Sete de Setembro, o impacto dessa conquista pode ser diferente do que se imagina. A seguir, entenda o que está em jogo nesta disputa comercial.

O que motivou o veto da União Europeia aos produtos brasileiros?

A Comissão Europeia alegou a suspensão das compras por conta da falta de garantias quanto ao cumprimento de normas contra o uso abusivo de antibióticos e antimicrobianos na pecuária no Brasil.

Importante ressaltar que não se trata de um problema sanitário, contaminação ou falta de qualidade da carne brasileira. A restrição é de natureza regulatória e burocrática, uma vez que a UE proíbe o uso dessas substâncias para promover o crescimento animal ou para tratamentos com medicamentos reservados para infecções humanas, com o objetivo de evitar a proliferação de superbactérias.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reafirmou que a cadeia produtiva nacional já adota rígidos protocolos de controle e que a medida “não altera a qualidade, segurança ou status sanitário da carne bovina brasileira”.

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Entretanto, essa rigidez europeia é vista com um viés político. O veto surge após críticas de produtores agrícolas franceses ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, sugerindo que o bloco utilizou a regulamentação como uma barreira comercial encoberta.

O preço da carne vai cair no supermercado? O fator “estoque” europeu

A reação inicial do consumidor ao ouvir sobre “embargo” é imaginar que os produtos ficarão em quantidade excessiva nas prateleiras, podendo resultar em redução de preços. Contudo, a realidade mostra que a situação não deve mudar drasticamente no curto prazo.

O segredo por trás dessa estabilidade se deve ao comportamento recente dos europeus, que, segundo o InfoMoney, anteciparam suas compras e formaram robustos estoques antes da implementação do bloqueio.

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Corrida contra o tempo:
As vendas de carne de frango do Brasil para a UE aumentaram 73% entre janeiro e julho deste ano.
Os embarques mensais para o bloco, que costumavam variar entre 15 mil e 20 mil toneladas, romperam a marca de 30 mil toneladas no primeiro semestre.

Com os compradores europeus já abastecidos para suportar o período de interrupção, a indústria brasileira não enfrenta um excedente problemático de produtos. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o risco de pressão imediata sobre os preços no varejo é considerado baixo.

Como as gigantes da B3 (JBS, Marfrig e Minerva) absorvem o impacto do embargo?

O mercado financeiro tende a reagir de maneira volátil a restrições internacionais, mas as grandes empresas de proteína animal listadas na B3 já possuem mecanismos de defesa.

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No ano passado, o Brasil foi responsável por um faturamento de aproximadamente US$ 1,8 bilhão em carne bovina e de frango destinada ao bloco europeu. Embora a UE seja um destino estratégico, as grandes empresas atuam sob um modelo de diversificação geográfica.

Companhias como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) possuem unidades de produção em países como Estados Unidos e Austrália, permitindo que continuem atendendo as demandas da UE a partir dessas regiões, minimizando perdas durante o embargo. Além disso, a China se mantém como o maior comprador da carne brasileira, com seus fluxos comerciais operando normalmente.

O setor já se mobiliza para reverter a situação. Conforme reportagens sobre a retomada das exportações para a UE, técnicos do governo brasileiro e empresas do setor apresentaram medidas adicionais de fiscalização para assegurar a segregação de lotes e atender às exigências do bloco europeu. Uma missão da UE esteve no Brasil realizando auditorias e o mercado aguarda um parecer oficial.

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Guerra comercial? Agro dá o troco e pede investigação contra o azeite de oliva europeu

O desdobramento mais significativo desse embargo está no campo diplomático e comercial. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não aceitou a suspensão passivamente e acionou o Itamaraty.

O presidente da CNA, João Martins, solicitou ao governo que ativasse o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC), permitindo que o Brasil exija compensações financeiras ou aplique retaliações comerciais contra produtos europeus, suspendo vantagens tarifárias concedidas ao bloco.

O primeiro alvo dessa contraposta já foi definido: o azeite de oliva, com uma solicitação de investigação sobre a qualidade, identidade e classificação dos azeites de oliva importados que estão à venda nos supermercados brasileiros, levantando suspeitas de fraudes em produtos rotulados como extravirgem.

Embora a CNA não mencione a Europa especificamente, um recado claro é enviado: 89% de todo azeite de oliva importado pelo Brasil provém da União Europeia, com países como Portugal, Espanha e Itália dominando o mercado. Se o governo brasileiro endurecer a fiscalização ou aplicar sobretaxas sobre o azeite europeu, a “guerra da carne” poderá provocar o encarecimento de outro item essencial na mesa dos brasileiros.

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