Itanagra – Na próxima terça-feira, 15, completa um mês da morte de Callvin Marques Conceição, um menino de apenas 4 anos que foi atropelado em frente à sua casa, localizada no povoado Olhos d’Água, na zona rural de Itanagra, no litoral norte da Bahia.
A prima de Callvin, Daiane Marques dos Santos, de 23 anos, revelou que a família está em busca de justiça desde o trágico incidente.
De acordo com Daiane, o menino foi atingido por um veículo que trafegava em alta velocidade na tarde do dia 15 de agosto, por volta das 17h30, nas margens da BA-504. Na hora do acidente, Callvin estava brincando com sua prima de 12 anos e com sua irmã, uma bebê de apenas 1 ano e um mês. As meninas não foram atingidas, mas a mais nova acabou sofrendo uma fratura no crânio após cair durante a confusão.

“Foi constatada fratura [na cabeça da bebê]. No dia do fato, não tinha sido percebido isso, mas ela começou a evoluir com febre e, quando foi ao médico, identificou essa lesão”, explicou o advogado da família, Bruno Alexandro Santos.
Uma tomografia realizada na bebê em 19 de agosto confirmou um hematoma subgaleal e uma extensa fratura no osso parietal direito.

O carro, um Chevrolet Cruze, placa FZD0B64, de registro em Cachoeira Paulista, São Paulo, era conduzido por Yan Santana Araújo, um engenheiro civil de 28 anos.
Sem resposta
Daiane expressou a frustração da família com a falta de respostas da polícia e da Justiça. “Até agora, o responsável pela morte de Callvin continua solto”, afirma.
A comunidade já vinha reivindicando à Prefeitura de Itanagra a instalação de quebra-molas e estruturas de segurança na rodovia, dado o histórico de acidentes na área.

“Desde que a estrada foi asfaltada, nós pedimos proteção e sinalização. Já houve vários casos de veículos invadindo residências”, lamenta.
Com o esforço de habitantes locais, um abaixo-assinado com cerca de 150 assinaturas foi enviado às autoridades competentes, mas, segundo Daiane, sem retorno efetivo.

De acordo com o advogado, testemunhas já foram ouvidas, mas ainda falta colher depoimentos da adolescente e da bebê presentes no momento do acidente. “Estamos aguardando os laudos periciais, incluindo o da alcoolemia do condutor do veículo”, explica Bruno.
Versões conflitantes
Após o atropelamento, a família relata que o motorista teria fugido do local sem prestar assistência, enquanto o prefeito Marcos Sarmento afirmou que o condutor permaneceu e prestou socorro.
“O que chegou a mim é que o condutor parou, prestou socorro e ajudou a polícia”, disse Sarmento, que não estava presente no local e, portanto, não pode confirmar os detalhes.

A família suspeita que Yan estivesse sob efeito de álcool no momento do acidente, mas essa informação ainda não foi confirmada oficialmente. A tentativa de contato com o engenheiro para esclarecimentos não obteve resposta.
Condições da via
O prefeito Marcos Sarmento afirmou que não pode instalar quebra-molas no trecho da rodovia, pois este é de responsabilidade estadual, e adverte que medidas unilaterais poderiam gerar mais riscos de acidentes.
Enquanto isso, a Prefeitura está tomando providências limitadas. Sarmento mencionou que 24 placas de sinalização seriam instaladas, mas a ação não ocorreu conforme o planejado. “Ele [o pai de Callvin] pediu para participar da instalação como forma de honrar o filho”, comentou Sarmento.
A administração também tenta um remanejamento das famílias que vivem próximos à rodovia, mas a comunidade não aceitou essa proposta no passado.
Diante da situação, a Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia e a Polícia Civil também foram contatadas para atualizações sobre as investigações e possíveis medidas para a segurança na via, mas não obtiveram resposta até a publicação desta matéria.


