Empresas da América Latina que implementam boas práticas de governança corporativa apresentaram retornos muito superiores aos das que possuem estruturas mais frágeis. Um estudo do Morgan Stanley, que analisou 183 empresas da região, constatou que aquelas no quartil superior de governança superaram as do quartil inferior em 224% desde 2010, considerando índices ponderados por valor de mercado.
Além disso, no cenário de pesos iguais, a diferença foi de 145%. O relatório conclui que “vale a pena ser bem governado” na América Latina, apontando que a governança pode ser um diferencial importante na seleção de ações, especialmente em uma região com alta concentração acionária e forte influência de controladores.

Brasil se destaca
Entre os países analisados, o Brasil se destaca como referência em governança corporativa na América Latina. As empresas brasileiras obtiveram as melhores classificações em ambos os critérios ponderados, atribuídas à evolução da regulamentação do mercado local e ao papel do Novo Mercado da B3, que aprimorou a proteção dos acionistas minoritários.
O estudo revela que as empresas brasileiras foram as que mais se beneficiaram do “sinal de governança”, com as melhor avaliadas superando as de menor classificação em cerca de 159% desde 2009. Apesar da diminuição no ritmo das reformas nos últimos anos, o Brasil se mantém como o mercado mais avançado na região.
Desafios enfrentados
O Morgan Stanley ressalta que o principal desafio da governança na América Latina não está mais nas estruturas de ações com diferentes direitos políticos, mas sim na alta concentração do controle societário. Aproximadamente um terço das empresas recebeu a menor nota nesse critério, conhecendo-se como “controle acionário”.
Cerca de 72% das empresas, por outro lado, obtiveram nota máxima na categoria “uma ação, um voto”, indicando que a utilização de estruturas de múltiplas classes acionárias não é tão problemática quanto o domínio exercido por famílias controladoras, governos ou grupos estratégicos.
O estudo também destaca que o nível de ações em circulação é baixo na América Latina, com um free float médio de apenas 56%, em comparação a 82%% global. Isso reduz a influência dos acionistas minoritários e aumenta os riscos relacionados ao controle concentrado.
Empresas brasileiras se destacam
Entre as empresas com as melhores pontuações em governança, o Brasil tem forte presença. O Morgan Stanley menciona empresas como B3 (B3SA3), Localiza (RENT3), Vibra Energia (VBBR3), e Lojas Renner (LREN3) como exemplos. As preferências dos estrategistas para investimentos na região incluem B3, Vale, Mercado Livre e Grupo Financiero Banorte.
Governança ligada ao crescimento
Além da performance das ações, a pesquisa revelou uma correlação positiva entre governança e crescimento operacional. As empresas mais bem avaliadas demonstraram crescimento de receita superior ao das companhias com classificações inferiores.
Outro dado relevante é que as empresas com melhores práticas de governança mantêm múltiplos mais atraentes. As do quartil superior negociam em média a 10,7 vezes o lucro, enquanto as do quartil inferior o fazem a 12,4 vezes. Essa evidência sugere que melhores práticas de governança não apenas mitigam riscos, mas também podem contribuir para um aumento no crescimento e na geração de valor aos acionistas ao longo do tempo.