Gideon Cardoso, natural de Nova Canaã, percorreu um caminho inspirador até se tornar guia de turismo em Salvador. Com um desejo de crescimento, ele decidiu se mudar para a capital baiana e se estabeleceu na Residência de Estudantes de Canaã, onde iniciou sua trajetória acadêmica na Universidade Federal da Bahia, graduando-se em História. Desde então, sua paixão pela cultura e pelas belezas naturais da Bahia ganhou espaço em sua vida profissional.
Ao chegar em Salvador, Gideon se encantou com a cidade e suas riquezas culturais. Motivado por essa paixão, começou a atuar como guia de turismo, incentivado por uma amiga chilena. Ele iniciou sua carreira como motorista e, em 1985, realizou um curso de guia oferecido pela Bahiatursa, conquistando rapidamente a simpatia de turistas como “Guia Gil”.
Gideon começou levando pequenos grupos em seu próprio carro, se aprofundando em temas como as religiões afro-brasileiras e a história cultural da Bahia. Seu conhecimento diferencial, adquirido através da graduação, permitiu que ele atraísse a atenção dos visitantes. Seu caminho de guia foi repleto de histórias marcantes, incluindo momentos engraçados, como quando um casal de turistas peruanos adormeceu durante um passeio.
Um desafio inicial o fez sentir nervosismo ao guiar um grande grupo de 45 turistas, mas essa experiência tão intensa lhe conferiu segurança. Focado em mostrar a Bahia em sua totalidade, Gideon não só apresentava pontos turísticos como também falava sobre eventos culturais, como a Lavagem do Bonfim, promovendo um entendimento mais profundo da cultura estadual.
Ao longo de sua carreira, ele destacava artistas baianos, como Jorge Amado e Caetano Veloso, e sempre vinculava suas narrativas à rica história da Bahia. Após anos como professor de História e diretor escolar, Gideon retornou ao turismo, planejando roteiros especializados que refletem sua paixão e conhecimento profundo das tradições religiosas católicas.
Gideon observa que a diversificação do turismo na Bahia é vital, sendo necessário aumentar a fiscalização e evitar práticas não profissionais na área. Ele elogia as iniciativas do governo e do Sebrae voltadas para a capacitação de guias, especialmente aqueles que atuam nas cidades menores do estado.
Música e turismo: um ativo econômico em Salvador
A combinação de música e turismo em Salvador se destaca como um forte componente econômico. Reconhecida pela Unesco como “Cidade Criativa da Música”, a cidade atrai milhões de visitantes a festivais e eventos, onde ritmos como axé e samba-reggae são os protagonistas. Esse movimento semanal é impulsionado não só pelos shows, mas também pelos diversos espaços culturais que mantêm a vida musical vibrante durante todo o ano.
A produtora cultural Fau Motta enfatiza que a música não apenas atrai visitantes, mas movimenta toda uma cadeia econômica, gerando emprego e renda. O bloco Olodum, símbolo da resistência e cultura afro-brasileira, realiza ensaios e eventos que fomentam o turismo no Centro Histórico, atraindo tanto moradores quanto turistas de longe.
A Casa da Mãe, espaço cultural promovido por Stella Maris, também se consolidou como um ponto turístico. Mantendo uma programação diversificada, recebe artistas de vários gêneros e promove uma conexão entre a cultura local e turistas. Fau Motta afirma que essa estrutura é crucial para manter a cena cultural ativa e apoiar a economia local.
Na baixa estação, o desafio é incrementar a programação cultural para atrair visitantes fora dos períodos festivos. Isso requer não só a dedicação de produtores, mas também a colaboração de empresas locais, que devem reconhecer o valor econômico da cultura. O compromisso em manter eventos durante todo o ano é vital para sustentar a cena cultural e as oportunidades econômicas que ela proporciona.