Dia da Alfabetização revela que analfabetismo restringe autonomia no Brasil

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Em um cenário onde a leitura e a escrita são fundamentais para a autonomia pessoal, muitas pessoas enfrentam desafios diários. Para aqueles que não dominam essas habilidades, tarefas simples podem tornar-se difíceis, exigindo apoio de terceiros.

A frase “Eu sei falar, mas não sei ler” reflete uma realidade impactante. Muitas pessoas, apesar de atuantes em diversas áreas da vida, como trabalho e cuidados familiares, encontram barreiras quando se deparam com a palavra escrita.

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Neste Dia Internacional da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, compartilhamos histórias de adultos que retornaram à educação, mostrando como essa decisão transforma a relação com atividades cotidianas e favorece a inclusão social.

Superando barreiras na era da informação

A falta de alfabetização não é apenas uma questão escolar, mas envolve dificuldades que muitas pessoas desenvolvem para lidar com o cotidiano. Algumas decoram trajetos, reconhecem produtos pelas embalagens, ou ainda necessitam de assistência para ler mensagens e completar documentos.

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Esses obstáculos são frequentemente resultado de trajetórias de vida marcadas pela necessidade de trabalhar desde cedo, evasão escolar, pobreza, e limitações no acesso à educação.

Segundo Laís Lira, docente e coordenadora do Programa de Alfabetização do Instituto Yduqs, é essencial que o método de ensino aborde estas experiências de vida. “Nossa meta é proporcionar uma alfabetização funcional, permitindo que o aluno desenvolva a autonomia para resolver problemas do dia a dia, reduzindo sentimentos de dependência”, ressalta.

Impacto do programa de alfabetização

O Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos do Instituto Yduqs surgiu com o propósito de transformar a realidade de pessoas em todo o Brasil. Com mais de 20 unidades e cerca de 100 educadores, a iniciativa já formou mais de 2.500 alunos, oferecendo uma formação prática e aplicável.

Entre os exemplos de sucesso está Maria Helena Almeida, de 58 anos, que relata uma vida dedicada ao trabalho e à família, enquanto a educação sempre ficou em segundo plano.

O retorno aos estudos: um sonho realizado

Nascida em Santa Cruz de Cabrália e atualmente residindo em Salvador, Maria Helena começou a trabalhar muito jovem. Ao longo da vida, assumiu sozinha os papéis de mãe e pai, enfrentando dificuldades financeiras que a afastaram da escola.

Maria Helena Almeida, de 58 anos
Maria Helena Almeida, de 58 anos – Foto: Divulgação

Hoje, como dona de casa e aluna do Curso de Alfabetização do Centro Universitário Estácio, ela realiza um sonho: aprender a ler. A vontade de retornar aos estudos surgiu através de seus filhos, que a encorajaram nessa jornada. “Foram eles que me impulsionaram a voltar a estudar”, afirma.

“A leitura é um abrir de portas”

Apesar das limitações impostas pela fibromialgia, que a faz utilizar muletas, Maria Helena decidiu que era o momento de recomeçar. A trajetória de seus filhos, um já graduado e outro na universidade, a motivou ainda mais a voltar ao estudo. “Tive uma vida difícil. Infelizmente, não tive orientações sobre a importância da educação. Minha missão era apenas sobreviver”, revela.

Atualmente, conseguir entender palavras e preencher documentos de forma independente é uma conquista significativa para ela. “Sou grata por essa oportunidade. A leitura é um abrir de portas na minha vida. A Estácio tem me apoiado muito”, declara.

Alfabetização como caminho para a autonomia

Aprender a ler e escrever não se limita a formar palavras, mas impacta diretamente na independência e na qualidade de vida das pessoas. A possibilidade de ler uma mensagem, compreender documentos ou identificar informações é um passo fundamental que ajuda a restaurar a dignidade e o pertencimento.

Laís Lira conclui: “A alfabetização se torna um instrumento de dignidade e transformação, mostrando que nunca é tarde para aprender e que o acesso à leitura e à escrita amplia as possibilidades de cidadania.

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