Dia Nacional de Combate ao Tabagismo: abandonar o cigarro beneficia a saúde em todas as idades

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O tabagismo: impactos e a importância da cessação

A sensibilidade nos dentes, tosse persistente e falta de ar ao realizar atividades simples, como subir escadas, são sinais iniciais que podem estar relacionados a doenças graves, incluindo enfisema, bronquite crônica e câncer de pulmão, especialmente em fumantes. Este sábado, 29, marca o Dia de Combate ao Fumo, um momento para refletir que não há idade ou momento certo para interromper o vício, promovendo benefícios para a saúde em qualquer fase da vida.

Os danos causados pelo cigarro não se restringem apenas a doenças fatais. A interrupção do hábito desde cedo pode prevenir condições de saúde que, embora não letais, causam sérios problemas. A médica Yanne Amorim, especialista em cuidados paliativos, destaca a necessidade de atenção a essas enfermidades que não levam à morte imediata.

“O foco costuma ser a morte por câncer ou infarto, mas é essencial abordar outras condições que o tabagismo provoca e que não resultam na morte imediata. O cuidado paliativo deve acompanhar a reabilitação desde o início do tratamento, não apenas quando os danos se tornam irreversíveis”, enfatiza a especialista.

Por que parar de fumar?

Fumar, seja através de cigarros, charutos, narguilés ou dispositivos eletrônicos, traz prejuízos à saúde desde o primeiro uso. A inalação da fumaça atinge os pulmões, onde a nicotina é rapidamente absorvida pelo organismo, afetando o humor e o estresse, além de aumentar a pressão arterial, a frequência cardíaca e causar efeitos colaterais como náuseas e dores de cabeça.

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Com o tempo, os danos se acumulam e sintomas simples se tornam parte da rotina do fumante, desfigurando aspectos do paladar e olfato, resultando em irritabilidade e insônia. O pneumologista Jorge Ardila, especialista em cessação do tabagismo, salienta que, após a pandemia, o Brasil registrou um aumento preocupante no número de fumantes e nas doenças correlacionadas, como complicações cardiovasculares e cânceres.

Crédito: “Dr. Jorge Ardila, pneumologista especialista em cessação de tabagismo – Foto: Divulgação ASCOM”.

“O tabagismo está crescendo em várias partes do mundo, e no Brasil em particular, muitos mais estão se tornando dependentes do cigarro, especialmente após a pandemia”, afirma o Dr. Jorge. Ele destaca as diversas doenças associadas, como câncer de pulmão e doenças cardiovasculares.

A ilusão do vape

A introdução dos vapes no Brasil, em 2010, inicialmente foi vista como uma alternativa menos nociva. Contudo, a percepção mudou com o tempo. Jorge revela que estudos indicam que o cigarro eletrônico possui uma concentração de nicotina até três vezes maior do que o cigarro tradicional e contém substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.

“Cigarros eletrônicos podem ser até mais prejudiciais por conta da alta nicotina e por conter elementos como formaldeído e metais pesados desconhecidos que afetam a saúde”, alerta Jorge.

O crescente uso de vapes entre jovens e adolescentes representa uma preocupação significativa, já que esses produtos atraem este público por suas características e sabores diversificados.

Mulheres e o aumento do câncer de pulmão

Dados do Datasus apontam que as internações por câncer de traqueia, brônquios e pulmões na Bahia aumentaram cerca de 15% entre 2024 e 2025, com mulheres sendo a maioria dessas internações. Embora o tabagismo fosse frequentemente associado a homens, o cenário está mudando.

“Mulheres fumantes apresentam um risco elevado de câncer de pulmão, além de aumentarem as chances de câncer de mama e ovário”, explica Dr. Jorge, acrescentando outros fatores que contribuem para essa predisposição.

Tratamento e cuidado paliativo

É crucial que fumantes que já notam consequências em sua saúde busquem tratamento antes que a doença atinja estágios avançados. A cessação, junto a acompanhamento médico e reabilitação, é parte essencial do cuidado, permitindo o controle de sintomas e preservação da qualidade de vida.

Crédito: “Dra. Yanne Amorim, médica paliativa – Foto: Divulgação ASCOM”.

“A integração do cuidado paliativo desde os primeiros sinais de comprometimento traz benefícios significativos à qualidade de vida e à sobrevida”, enfatiza Dra. Yanne. Ela recomenda acompanhar a saúde com atenção, especialmente através de internações frequentes.

Nunca é tarde para cuidar da saúde

Odeliz Gaiche, que parou de fumar há cinco anos, exemplifica que a mudança é possível, independentemente de quanto tempo se foi fumante. “Após várias tentativas, eu consegui parar e isso mudou minha vida”, compartilha Odeliz.

Os benefícios da cessação começam nas primeiras 24 horas, com a normalização da pressão arterial e a hidratação da pele se estabilizando em 48 horas. “É importante combater o tabagismo, mas não a pessoa que fuma; o que importa é que sempre há opções de tratamento”, conclui Dra. Yanne.

Ao direcionar atenção ao público adolescente, a orientação sobre os riscos da nicotina é vital, especialmente diante das estratégias da indústria do tabaco que visam atrair jovens fumantes.

Portanto, buscar ajuda profissional é fundamental para quem deseja parar de fumar. Existem programas de cessação oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e outras instituições que visam apoiar este processo e reduzir os riscos associados ao tabagismo.

“Esses programas visam relembrar que sempre existe um começo. Parar de fumar traz vantagens significativas e previne complicações de saúde”, finaliza Dr. Jorge.

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