A Bahia tem o desafio de fortalecer cada vez mais os segmentos da economia criativa, não apenas porque agregam opções diferenciadas aos visitantes aumentando seu período de permanência e o faturamento dos segmentos envolvidos. Esta economia valoriza a originalidade dos saberes tradicionais, a história e a cultura, dentre outros atributos, refletindo na criação de empregos e geração de renda entre a população, além de reforçar sua identidade com o lugar.
Além da badalada oferta de diversificados atrativos tradicionais como montanhas, sol e praias, cannions, cachoeiras, igrejas e museus, que fazem da Bahia um estado cobiçado pelos viajantes nacionais e estrangeiros, por estas terras eles também têm opções para viver ricas experiências fora do convencional, proporcionadas através da economia criativa.
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Segundo o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar a força criativa da Bahia é uma potência, com previsão de crescer ainda mais no futuro próximo considerando a capacidade empreendedora dos baianos, com aproveitamento dos potenciais.
“Seguimos nossas estratégias no programa Bahia 4.0, que direciona a atuação da secretaria entre 2020 e 2030”, pontuou, destacando que o foco principal é a diversificação de opções turísticas.
Iniciativas neste sentido favorecem a redução da sazonalidade na procura dos destinos baianos e, dentre outros fatores positivos, aumenta o período de estadia dos turistas, somando maiores dividendos à economia estadual e atraindo novos investimentos. Conforme Bacelar, o estado trabalha na identificação dos talentos, na qualificação profissional e na transformação do trabalho em produto turístico.
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O secretário citou variadas situações onde o conhecimento repassado de uma geração para outra, se tornou em um valoroso meio de trabalho, destacando que as atividades da economia criativa representam diferentes modos de vida e valorizam as raízes do povo baiano. “A economia criativa é o futuro do nosso turismo”, salientou Bacelar, acrescentando que este movimento não deve comprometer a essência cultural dos baianos, e sim, ajudar na sua preservação.
Secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar – Foto: Shirley Stolze/ Ag A TARDE
Diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo, apontou que a autenticidade é o maior diferencial competitivo da Bahia. “O desafio não é tratar a cultura como produto, mas reconhecê-la como um ativo econômico que só existe se forem preservados sua essência, seus valores e as pessoas que são protagonistas destas experiências”, defendeu.
Envolvido no processo que estruturar o futuro do turismo, ele pontuou que o caminho é investir mais na diversidade. “A força da Bahia está justamente em sua pluralidade cultural e natural, que sempre é exaltada pelos visitantes que sentem que aqui há algo de único, raro e essencialmente diverso”, asseverou.
Ao mencionar que o estado está avançando em iniciativas que integram turismo e economia criativa, André Gustavo disse que o Sebrae tem atuado em projetos que conectam cultura, turismo e empreendedorismo, “reconhecendo a economia criativa como vetor estratégico de geração de renda, inovação e desenvolvimento territorial a partir dos pequenos negócios que dão vida a este setor”.
Para vencer os desafios, disse, “agora é preciso ampliar a governança entre os setores público e privado, melhorar a gestão dos negócios criativos e o acesso dos empreendedores criativos a mercados, financiamento, inteligência de negócios e internacionalização”. Lembrou ainda que o trabalho deve envolver também os municípios, fortalecer a gestão cultural nos territórios e dos Conselhos de Cultura.
De acordo com o diretor do Sebrae, para além das observações necessárias para organização e venda dos produtos/trabalhos da economia criativa, existem questões mais profundas para a economia criativa no estado. “Ainda existe um desafio histórico relacionado à distribuição de valor dentro das cadeias culturais. Muitas vezes, quem cria tem menor participação na riqueza gerada do que outros atores responsáveis pela comercialização, distribuição ou intermediação”.
1 de 1Diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo |
O fortalecimento do empreendedor cultural é uma agenda estratégica para reverter esta situação, apontou, asseverando que quanto maior a capacidade de gestão dos criadores, “maior será sua participação nos resultados econômicos gerados por seus próprios produtos, serviços e ativos culturais”.
Ele enfatizou que o objetivo do Sebrae é fazer com que a riqueza produzida pela cultura baiana permaneça cada vez mais nos territórios, beneficiando artistas, mestres da cultura, grupos tradicionais e pequenos negócios que mantêm viva essa herança.
Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio/BA), Kelsor Fernandes também enalteceu a riqueza cultural da Bahia e ressaltou o trabalho desenvolvido pela instituição junto com outras entidades, citando a convergência da atuação do Senac e Sesc, na qualificação profissional das pessoas para atender a demanda do turismo.
“Quando olhamos para o futuro, somos otimistas. A Bahia é um destino consolidado, historicamente entre os mais procurados do Brasil, tanto pelo turista nacional quanto pelo internacional”, disse, apontando que o estado tem atributos muito difíceis de reunir em um único destino, “patrimônio histórico e cultural, gastronomia, música, diversidade, belezas naturais e uma identidade reconhecida mundialmente”.
Ele também reconheceu que o desafio agora é transformar todo esse potencial em um crescimento cada vez mais sustentável em diferentes regiões do estado. Para isso, ressaltou, o trabalho já existente deverá ser reforçado, sendo nessa convergência que o Sistema Comércio busca atuar. Além do preparo das pessoas e valorização da cultura, “acompanhando o desempenho da atividade e contribuindo para a construção de políticas e iniciativas que façam da Bahia um destino cada vez mais competitivo e acolhedor”.
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Com atuação específica nesta área, desde 2011 a Fecomércio BA mantém a Câmara Empresarial do Turismo, que reúne representantes do setor para debater desafios da área e atua com articulações com os governos municiais e estadual.
“Defendemos um ambiente de negócios cada vez mais favorável aos investimentos, com redução da burocracia, melhoria da infraestrutura, especialmente de rodovias e aeroportos, e avanços em áreas essenciais como a segurança pública”, apontou, esclarecendo que são condições que beneficiam primeiramente a população baiana, mas que também têm impacto direto sobre a experiência de quem escolhe o nosso estado como destino.
Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia, Wilson Spagnol disse que o futuro para a atividade é animador. Não só “pelo diferencial competitivo do estado”, mas também pela união do trade e as parcerias público privadas que vem fomentando o setor. Neste quesito ele citou a parceria com o Sebrae para a implantação da ferramenta digital Bússula Hoteleira. Iniciativa da ABIH BA, disponibiliza dados e inteligência de mercado a serviço da gestão hoteleira.
Ele também destacou a importância da economia criativa para o setor turístico, classificando estas atividades como “indispensáveis” na consolidação dos destinos, aumentando o tempo de permanência, a média de gastos por turista, “ajudando a distribuir renda e conectando os grandes empreendimentos às iniciativas locais nas diferentes zonas turísticas da Bahia”.
José Wilson Spagnol, (presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Bahia, ABIH-BA) – Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE
Fomento ao turismo
Transformada em uma política de incentivo e apoio cultural permanente e perene desde 2025, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) é uma estratégia de democratização do acesso, descentralização territorial e estruturação das políticas culturais.
Segundo a Superintendente de Promoção Cultural na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Lorena Teixeira, a economia criativa é contemplada com editais específicos, bem como “transversalmente em diversos outros editais, nos quais, atividades e elos produtivos da economia criativa estão presentes”.
Ela apontou que como iniciativa estruturante para o segmento foi implantada a Incubadora Bahia Criativa pela Secult/BA, para fortalecer o acompanhamento estruturado de empreendimentos do setor cultural e criativo, com suporte em gestão, formação, orientação técnica e networking. Também faz parte deste contexto a requalificação do Solar Boa Vista, “que está sendo concebido como um parque cultural urbano e hub de economia criativa”.
Ao definir a economia criativa como “estratégica para o desenvolvimento da Bahia”, Teixeira pontuou que o trabalho da coordenação operacional dos mecanismos de fomento da Secult BA, busca demonstrar “que o investimento público não seja compreendido apenas como financiamento pontual de projetos”.
1 de 1Superintendente de Promoção Cultural da Secult/BA, Lorena Teixeira |
Deve ser um instrumento de estruturação de cadeias produtivas, profissionalização dos agentes culturais e fortalecimento dos ecossistemas culturais e criativos dos territórios. Ressaltou ainda o desafio de fazer com que o recurso público chegue a quem produz cultura em diferentes territórios, e deixe capacidade instalada, empreendimentos mais estruturados e novas possibilidades de geração de trabalho e renda.
“É nesse sentido que entendemos a economia criativa dentro da PNAB Bahia, não apenas como um segmento a ser contemplado por um edital, mas como uma estratégia de desenvolvimento cultural, econômico e territorial para o estado”, finalizou.
Vai Turismo Bahia!
Movimento de alcance nacional o ‘Vai Turismo – Rumo ao Futuro’ é uma iniciativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que no estado tem a parceria da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio BA), articulando forças com outras 33 instituições para impulsionar políticas públicas rumo ao desenvolvimento sustentável do setor de turismo.
Deflagrado em 2021, ganhou força no período pós-pandemia com a retomada gradual de viagens por parte dos turistas, com a proposta principal de fomentar o segmento e reconhecer sua relevância primordial para a economia brasileira.
“A Fecomércio BA aderiu ao programa desde o início e vem se engajando fortemente nessa iniciativa ao longo dos últimos quatro anos, por entendermos que o fortalecimento do turismo (setor que representamos) é uma das prioridades da nossa gestão”, pontuou o presidente da federação, Kelsor Fernandes.
1 de 1Presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Fernandes |
Um dos resultados desta iniciativa foi concretizado dia 4 de agosto, em evento na Casa do Comércio, com a entrega de um documento elaborado com a participação das demais entidades que participam do ‘Vai Turismo’ a dois dos postulantes ao governo estadual, que estão mais bem cotados nas pesquisas.
Entre os estados que implantaram o programa, a Bahia foi o primeiro a mobilizar o setor e as lideranças políticas, para apresentar as principais demandas para turbinar a atividade. Ele afirmou que o material entregue sistematiza as propostas de políticas públicas consideradas prioritárias para o fortalecimento e o desenvolvimento sustentável do turismo baiano.
Segundo Fernandes, “cumprimos o nosso papel de representar, articular e dar voz ao setor produtivo, levando ao debate público propostas construídas coletivamente em favor de um segmento estratégico para a nossa economia”, destacou, citando sua capacidade “de gerar emprego, renda, oportunidades e desenvolvimento para todas as regiões do estado”.
Coordenadora do ‘Vai Turismo Bahia!’, Marta Lobo, exemplificou que o trabalho do grupo teve início com a realização de oficinas e outros encontros virtuais quando foram identificados os gargalos e debatidas soluções. “Desde o pós-pandemia, todos anos realizamos esta articulação, atualizamos e encaminhamos as demandas”, disse, salientando que ao final de cada ciclo os projetos são encaminhados aos gestores públicos e ao trade turístico baiano.
1 de 1Coordenadora do ‘Vai Turismo Bahia!’, Marta Lobo |
Para ela, a importância do projeto está no fato dos diferentes setores envolvidos na atividade turística serem ouvidos para apontar os problemas percebidos e que tenham difícil solução. As questões analisadas são transformadas em propostas, que devem auxiliar nas tomadas de decisão relativas a este setor econômico.
A estrutura do programa conta com um painel de inteligência turística que armazena dados estratégicos alimentados pelas federações dos estados. Nele, a Bahia aparece com R$ 1,3 bilhão, em segundo lugar entre os estados com maior orçamento previsto, somando 245 projetos. A iniciativa tem destaque ainda pela articulação institucional entre o setor produtivo, a qualificação profissional através do Senac e as ações sociais e culturais promovidas pelo Sesc, vinculando tudo aos órgãos públicos.
A produção da Fecomércio/BA e demais instituições parceiras na elaboração do programa ‘Vai Turismo!’ já rendeu diversas condecorações aos baianos, notadamente nas edições de 2024 e 2025 do Prêmio Atena CNC, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.