Resumo rápido: A Corning, famosa pelo Gorilla Glass, quer acelerar a presença no Brasil e na América Latina, investindo em data centers, telecomunicações, indústria automotiva e ciências da vida. Com planos de dobrar o faturamento brasileiro nos próximos anos, a companhia aposta em parcerias estratégicas e expansão na região, mesmo sem fábrica local.
Brasil entra na mira da companhia
A Corning mantém cerca de 75 colaboradores no Brasil, atuando em comercial, logística e atendimento. Não há fábrica no país; a produção latino-americana fica no México, onde a empresa emprega mais de 25 mil pessoas. Mesmo sem unidade fabril local, a empresa amplia investimentos em três frentes prioritárias: infraestrutura para telecomunicações e data centers, tecnologias para o setor automotivo e soluções para ciências da vida. O segmento de data centers registrou crescimento de dez vezes nos últimos dois anos, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
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Parceria com NVIDIA reforça estratégia
O movimento acompanha um investimento internacional relevante. Em maio de 2026, a Corning anunciou uma parceria com a NVIDIA, com aporte inicial de US$ 500 milhões, além da possibilidade de investimentos de até US$ 3,2 bilhões por meio de warrants. O acordo prevê a construção de três novas fábricas de conectividade óptica nos Estados Unidos para atender à demanda de data centers voltados à IA, fortalecendo a estratégia de crescimento da empresa no Brasil.
“Empresas que inovam por mais de um século entendem que a inovação não é um evento isolado, mas um processo contínuo, estruturado e alinhado ao propósito do negócio”, disse Flávio Guimarães, presidente da Corning Brasil.
Para acompanhar o aumento da demanda, a empresa ampliou a equipe comercial, reforçou o suporte técnico e de pós-venda, além de realocar seu centro de distribuição em São Paulo para uma estrutura maior e mais automatizada, que também atenderá às operações de telecomunicações. A Corning também trabalha na criação de uma cadeia de fornecedores nacionais para montagem e conectividade de cabos destinados a projetos de data centers.
Da lâmpada de Edison ao vidro do iPhone
Fundada em 1851, em Massachusetts, a Corning iniciou produzindo vidro para construção civil. Em 1879, criou o invólucro de vidro que protegia o filamento da lâmpada de Edison. Em 1915, lançou o Pyrex, linha de utensílios domésticos resistente ao calor. Em 1970, a empresa desenvolveu a primeira fibra óptica de baixa perda para transmissões de longa distância. Em 2007, entrou oficialmente no mercado de eletrônicos de consumo ao desenvolver, a pedido de Steve Jobs, um vidro reforçado quimicamente para smartphones. Hoje, o Gorilla Glass já gerou mais de US$ 20 bilhões em receita e está presente em mais de 8 bilhões de dispositivos.
Automóveis, saúde e novas tecnologias
Além da infraestrutura para IA, a Corning mira outros setores no Brasil. No automotivo, fabrica catalisadores e filtros para escapamentos, mas o crescimento depende da aprovação de regulamentação sobre particulados em veículos leves. O segmento de ciências da vida registra crescimento anual entre 10% e 12%, reunindo diagnósticos, produção de vacinas, terapias celulares e bioprodução. A empresa também desenvolve projetos em bioagricultura, biopesticidas e vidros especiais para para-brisas de veículos pesados, além de soluções ainda em validação. Com essa combinação de investimentos, a Corning projeta dobrar o faturamento no Brasil nos próximos anos.
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