Inadimplência de aluguel diminui, mas continua elevada em imóveis comerciais

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Inadimplência de aluguel recua levemente no Brasil, mas pequenos negócios ainda enfrentam dificuldades

A inadimplência relacionada a aluguéis no Brasil apresentou uma leve queda em junho, mas os pequenos negócios, especialmente, continuam enfrentando desafios significativos. Em imóveis alugados com valores de até R$ 1 mil, a taxa de inadimplência atingiu 7,40%, mais do que o dobro da média nacional, que é de 3,20%. Esses dados são do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, gerado a partir de informações anonimizadas de mais de 800 mil locatários.

Embora a taxa tenha diminuído em 0,02 pontos percentuais em relação a maio, o índice nacional tem oscilado pouco desde março, mostrando uma variação máxima de apenas 0,04 pontos durante esse período. Na comparação com junho do ano passado, quando a taxa era de 3,59%, houve uma redução de 0,39 pontos. No entanto, o cenário varia conforme o tipo de imóvel, o valor dos aluguéis e a localização.

Os dados mostram que os imóveis comerciais apresentaram uma taxa de inadimplência de 4,19%, superior à de casas, que foi de 3,45%, e de apartamentos, que registrou 2,16%. O Nordeste lidera o ranking regional com uma taxa de 5,15%, apesar da ligeira redução observada em junho.

Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, ressalta que a estabilidade do índice nos últimos meses deve ser analisada com atenção, considerando os impactos dos juros e da inflação. Os aluguéis mais baixos são especialmente afetados pela vulnerabilidade financeira das micro e pequenas empresas, notadamente nos primeiros anos de operação.

Além do aluguel, as despesas como condomínio, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e custos operacionais impactam diretamente na manutenção do negócio. O corretor de imóveis comerciais, Erotildes Silva, afirma que esses custos podem consumir até 40% do faturamento de um estabelecimento. “Quando esses valores aumentam, a tendência é de elevação no aluguel e, consequentemente, na inadimplência”, explica.

Para minimizar esse risco, Erotildes utiliza seguros de fiança em cerca de 90% das locações que administra, garantindo ao proprietário o recebimento dos valores em caso de inadimplência do inquilino. O corretor também leva em consideração o histórico de pontualidade do inquilino nas negociações. Um comerciante que regularmente cumpre suas obrigações, mesmo enfrentando uma queda temporária nas vendas, pode negociar prazos e condições mais favoráveis.

A confeiteira Carla Menezes, que alugou uma loja chamada Cucina Criativa após iniciar o negócio em casa, destaca a importância do planejamento financeiro para manter os pagamentos em dia. Ela aluga um espaço em uma área movimentada da capital baiana e afirma que separar o valor do aluguel logo no planejamento mensal é fundamental para sua gestão.

José Alberto Vasconcelos, segundo vice-presidente e diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), salienta que a prevenção começa antes mesmo da entrega das chaves. Ele recomenda que sejam feitas consultas sobre o histórico do candidato e as condições em que locações anteriores foram encerradas. “É essencial realizar essa diligência para evitar problemas futuros, já que tirar um inquilino do imóvel é um processo burocrático complicado”, afirma.

Além disso, o diretor alerta sobre as propostas de pagamento antecipado que podem servir para contornar a análise cadastral. Candidatos com restrições podem oferecer meses de aluguel adiantados, mas isso pode resultar em descumprimento das obrigações contratuais. Quando as finanças apertam, o aluguel muitas vezes é deixado de lado em favor de despesas que sustentam o negócio. Por isso, Vasconcelos enfatiza a importância de analisar o perfil do inquilino, garantir a locação e ter acompanhamento profissional para mitigar riscos, bem como promover um diálogo que favoreça a permanência do pequeno negócio no imóvel.

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