Um prédio que permaneceu abandonado por cerca de 85 anos no Centro Histórico de São Paulo foi identificado como uma obra do arquiteto Ramos de Azevedo, responsável por projetos como o Theatro Municipal, a Pinacoteca e o Mercado Municipal.
O imóvel, localizado na Rua Roberto Simonsen, foi construído em 1919 para abrigar a antiga Policlínica e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Antes da criação da Faculdade de Medicina da USP, o espaço era referência em atendimento médico e produção científica.
A autoria do projeto só foi confirmada recentemente, após o atual proprietário, o desenvolvedor imobiliário Allan Ruiz, localizar plantas assinadas por Ramos de Azevedo no Arquivo Histórico Municipal. O empresário havia adquirido o prédio em 2025 sem saber da importância histórica do imóvel.
Apesar do longo período sem uso, o edifício preserva características originais, como pisos, vitrais e a cabine do elevador. Ao mesmo tempo, apresenta sinais de deterioração, com paredes sem reboco, infiltrações e vidros quebrados.
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Preservação
Segundo Allan Ruiz, o fato de o prédio ter permanecido décadas fechado contribuiu para a preservação da estrutura e de parte dos elementos históricos.
A antiga policlínica funcionou até 1939. Após enfrentar dificuldades financeiras, o imóvel passou para a Caixa Econômica e permaneceu sem utilização regular. Em 2015, foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp).
O proprietário pretende restaurar os vitrais, pisos e demais elementos originais, mas manter parte da aparência atual do prédio. O projeto, batizado de “Ruínas do Ramos”, tem investimento estimado entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões.