
Especialista abordou a relação entre alterações orofaciais, respiração durante o sono, bruxismo e episódios de falta de ar
Uma transmissão ao vivo entre a cirurgiã-dentista Dra. Rosinéa Oliveira e a jornalista Analice Nicolau trouxe esclarecimentos sobre episódios de sufocamento noturno e a relação entre alterações orofaciais e problemas respiratórios durante o sono. A conversa alcançou um tema que afeta pacientes de diferentes regiões e abordou sinais como falta de ar ao acordar, taquicardia e sono não reparador.
Formada em 1990 pela Universidade de Pernambuco (UPE) e com 35 anos de prática clínica, Rosinéa atua na Odontologia do Sono sob uma perspectiva integrativa. À frente da Clínica CLINIS, em Petrolina (PE), a cirurgiã-dentista (CRO 4710-PE) investiga a relação entre estruturas da cavidade oral e alterações na respiração durante o período de descanso.
Durante a conversa, a especialista explicou que características da arcada dentária e o espaço funcional disponível para a língua podem interferir na passagem do ar. Em casos de redução das vias aéreas, o organismo pode responder com despertares súbitos e outros sinais que exigem investigação adequada.
“A língua possui dezessete músculos e precisa de espaço funcional na boca para não estrangular a passagem do ar durante a noite”, explica Rosinéa.
A avaliação desses pacientes pode envolver diferentes recursos para investigar fatores relacionados ao sono, à respiração e às estruturas orofaciais. Na clínica, a abordagem adotada reúne estratégias como aparelhos intraorais, reeducação respiratória e avaliação da oclusão, de acordo com as necessidades identificadas individualmente.
Outro ponto abordado foi a possível relação entre alterações na articulação temporomandibular, apertamento dos dentes e dores de cabeça. “Muitos pacientes enfrentam dores de cabeça diárias sem saber que o estresse biomecânico na arcada e o apertamento dos dentes estão superestimulando o nervo trigêmeo”, afirma a especialista.
Rosinéa também destacou a necessidade de acompanhamento multidisciplinar nos casos em que pacientes utilizam medicamentos psicotrópicos. A eventual redução ou suspensão desses medicamentos deve ser avaliada e conduzida pelos profissionais responsáveis pela prescrição, como médicos psiquiatras e neurologistas.
A cirurgiã-dentista vem ampliando sua formação na área e participou recentemente de uma imersão no Rio de Janeiro relacionada aos estudos sobre bruxismo. A atualização profissional, segundo ela, integra o trabalho desenvolvido com pacientes que apresentam dores crônicas e alterações relacionadas ao sono.
“A maturidade clínica nos orienta a buscar no conhecimento científico as soluções mais seguras para libertar o paciente das dores crônicas”, afirma.
Com atuação em Petrolina, na região do Vale do São Francisco, a Clínica CLINIS recebe pacientes também de municípios do interior de Pernambuco e da Bahia. Para Rosinéa, ampliar o acesso à informação pode contribuir para que pessoas que convivem com episódios recorrentes de falta de ar, bruxismo, dores e alterações do sono procurem avaliação profissional.
“O restabelecimento da função respiratória cria as condições fisiológicas necessárias para que o médico avalie a descontinuação gradual dos fármacos, devolvendo o equilíbrio integral”, conclui Dra. Rosinéa Oliveira.


