Empresário investigado por lavagem de dinheiro financiou criptomoeda de Trump com US$ 100 milhões

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Um enredo complexo envolvendo criptomoedas, promessas de investimento e o atual presidente dos Estados Unidos em seu segundo mandato abre perguntas sobre a origem de grandes somas e a adesão a regras de combate à lavagem de dinheiro. No centro, Guren “Bobby” Zhou, antes um empresário de varejo de piso de madeira na Grã-Bretanha, emergiu como figura-chave de uma rede que já movimentou centenas de milhões de dólares ligados à World Liberty Financial, empresa de criptomoedas associada à família Trump.

Em 2024, por meio de uma nova firma chamada Aqua 1, Zhou desembolsou cerca de US$ 100 milhões para comprar tokens da World Liberty. De acordo com a política da empresa, parte desse dinheiro acabou indo para estruturas controladas pelo presidente e pelos três filhos, além de beneficiar a família de Zach Witkoff, enviado especial de paz da administração Trump.

A transação levantou questões sobre a origem dos recursos e o rigor das leis de combate à lavagem de dinheiro. Especialistas ouvidos pelo Times apontaram várias “bandeiras vermelhas” — histórico empresarial instável, acesso súbito a grandes fortunas, e o tamanho do aporte — que, segundo eles, deveriam ter acionado exigências de documentação de origem dos fundos. A World Liberty, por sua vez, afirmou que cumpre as normas e mantém um programa de conformidade robusto, sem detalhar a origem dos recursos usados na compra.

A biografia de Zhou, reconstituída por reportagens, revela uma trajetória marcada por ambição rápida e negócios com criptomoedas que deram errado. Depois de uma série de reveses na Inglaterra, ele migrou para os Emirados Árabes Unidos, criando redes de empresas ligadas a operações de investimento e tecnologia cripto, entre elas a Caduceus e a Web3Port, envolvendo promessas de “metaversos” e tokens que, na prática, perderam valor.

Marketing audacioso, parcerias duvidosas com nomes de peso internacionais e anúncios que ligavam seu empreendimento a fundos soberanos chamaram a atenção de autoridades. Em 2022, Zhou afirmou ter apoio de empresas como a China Merchant Securities (UK) e do Bin Zayed Group, embora essas ligações tenham sido desmentidas ou consideradas não autorizadas pelas próprias organizações. Enquanto o token da Caduceus colapsava, investidores viram seus rendimentos desaparecerem.

Em 2024-2025, Zhou se deslocou para Abu Dhabi e criou estruturas como Royal Privilege Group e Web3Port, com promessas de fundos significativos e investimentos em plataformas de stablecoins. Contudo, o envolvimento de entidades como Aqua 1 e a alegação de vínculos com a World Liberty continuaram a alimentar investigações sobre lavagem de dinheiro na Inglaterra e nos EUA. Em setembro, acusações surgiram contra cofundadores, enquanto Zhou não foi formalmente acusado, permanecendo como personagem central de uma investigação que pode se arrastar até 2028.

As autoridades ressaltam que a presença de figuras políticas de alto perfil no ecossistema cripto aumenta o escrutínio regulatório. Embora autoridades indiquem cautela, o debate sobre a transparência e a governança de fundos em torno da World Liberty, Aqua 1 e parceiros continua em aberto. O caso reacende a discussão sobre como investidores e plataformas devem conduzir operações transnacionais com ativos digitais e quais salvaguardas são realmente eficazes.

E você, o que pensa sobre o papel de investidores ligados à política em negócios de criptomoedas? Deixe seu comentário e compartilhe suas perspectivas sobre regulação, transparência e responsabilidade neste universo cada vez mais presente no dia a dia financeiro.

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