Setor privado se mobiliza por código de conduta no STF após revelações da PF
O setor empresarial começou a organizar um manifesto solicitando que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avance na implementação de um código de conduta para os magistrados. As conversas foram impulsionadas por revelações de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, investigadas pela Polícia Federal, gerando desconfiança em relação à integridade da corte máxima do Brasil.
Durante o Fórum Negócios Brasil, realizado em São Paulo, Sergio Zimerman, fundador e presidente do Grupo Petz Cobasi, fez uma crítica contundente à crise no STF, alegando que a população deve se mobilizar caso as investigações sobre Moraes e Vorcaro não resultem em punições. “Se acontecer de não dar em nada, vamos para a rua acabar com a sem-vergonhice”, declarou o empresário, que foi aplaudido de pé.

Zimerman também se manifestou contra o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório da PF. “Imagina que fosse uma investigação flagrado alguém praticando pedofilia. O que importa é que não poderia ser feito daquela forma”, enfatizou, criticando a histórica anulação de processos no Brasil.
De acordo com informações apuradas pelo jornal O GLOBO, o setor produtivo está em conversas para formalizar um novo manifesto em prol de um STF com mais decoro. Um documento anterior, registrado em dezembro, contava com 200 assinaturas, incluindo nomes como Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e João Amoêdo, cofundador do Partido Novo. Esse manifesto pedia transparência nos limites éticos que devem nortear a atuação dos magistrados.
O documento foi elaborado após o ministro Dias Toffoli ser revelado viajando a Lima, no Peru, em um jato particular, ao lado de um advogado envolvido nas investigações do caso Master. O banco Master também havia contratado o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barsi, por R$ 3,6 milhões mensais, totalizando R$ 130 milhões.
Um empresário anônimo confirmou a movimentação para a divulgação de uma nova carta à sociedade, clamando por um código de conduta do STF. “Há um sentimento de desconfiança e revolta em relação a posturas de ministros do STF, que afetam a credibilidade da instituição e afastam investimentos”, comentou.


