
Após dificuldades com o mercado, aliados discutem nova reunião em SP. Candidato também vai ampliar presença em eventos do agronegócio

A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, trabalha com a expectativa de ampliar nas próximas semanas as conversas com empresários e representantes do mercado financeiro.
Aliados discutem aproveitar agendas do senador em São Paulo, no início de setembro, para tentar reuni-lo com nomes da Faria Lima (centro financeiro do Brasil), depois de encontros maiores que não avançaram nos últimos meses.
Flávio também tem ampliado a presença em agendas ligadas ao agronegócio, um ambiente em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta resistência e no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, manteve forte presença política.
Depois de participar da Festa do Peão de Barretos, o candidato deve ir na próxima semana à Expointer, no Rio Grande do Sul, para se encontrar com produtores e entidades rurais.
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A possível reunião com representantes do mercado financeiro ainda está em discussão. Tentativas semelhantes enfrentaram dificuldades nos últimos meses.
Em junho, houve uma articulação para reunir Flávio Bolsonaro e empresários no interior paulista. O encontro não avançou depois do desgaste provocado pela divulgação de áudios de conversas entre o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Nas gravações, Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. A repercussão do caso abalou a aproximação que a campanha buscava com parte do empresariado e do mercado financeiro e, nas palavras de um aliado, chegou até mesmo a “interditar momentaneamente” outras investidas.
A candidatura de Flávio Bolsonaro já vinha enfrentando resistência entre nomes do mercado financeiro. Antes da definição do senador como candidato do PL, parte do empresariado defendia a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa pelo Planalto.
Tentando estreitar os laços com o setor produtivo e com integrantes do mercado financeiro, Flávio tem contado com a ajuda dos coordenadores de seu plano econômico, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida. O candidato também tem aproveitado compromissos de campanha para reunir empresários nas regiões por onde passa.
Passagem pela Fiesp
Nessa segunda-feira (24/8), Flávio Bolsonaro participou de uma reunião de diretores e conselheiros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Antes do encontro, conversou reservadamente com o presidente da entidade, Paulo Skaf.
Flávio prometeu buscar previsibilidade para investimentos, escolher ministros técnicos e acelerar licenciamentos ambientais dentro da lei. Também criticou a proposta de fim da escala 6×1 e defendeu uma alternativa, com remuneração por hora.
Flávio ainda participou de uma premiação voltada ao setor empresarial. Entre as empresas com representantes confirmados estavam Itaú Unibanco, Ambev, Natura, WEG, Suzano, Localiza, Totvs e Renault do Brasil. Em seu discurso, o senador criticou medidas do governo Lula.

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Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova
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Samuel Pancher / Metrópoles
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Charles Vieira/Divulgação/Campanha Flávio Bolsonaro
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Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em ato, na avenida Paulista, em março de 2025
DANILO M. YOSHIOKA / ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka
Jair Bolsonaro também buscou interlocução direta com o setor financeiro durante a campanha de 2022. Candidato à reeleição, o então presidente participou, em agosto daquele ano, de um almoço em São Paulo com representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF).
Mais de 30 representantes de instituições financeiras estiveram no encontro, entre eles executivos de Itaú, Bradesco, Santander, Safra, Banco do Brasil, XP, J.P. Morgan e BTG Pactual. Flávio acompanhou o pai naquela agenda.
O que Flávio propõe para a economia
As medidas fazem parte do plano de governo apresentado por Flávio Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Substituir o arcabouço fiscal por uma nova regra para estabilizar e reduzir a dívida pública.
- Cortar pelo menos dez ministérios e diminuir cargos comissionados e gastos administrativos.
- Buscar superávits nas contas públicas e impor limites a despesas discricionárias dos Três Poderes.
- Alterar a reforma tributária para reduzir o IVA, diminuir exceções e desonerar exportações e investimentos.
- Retomar a reforma administrativa e combater supersalários e benefícios adicionais no funcionalismo.
- Ampliar o Seguro Rural e criar mecanismos para reorganizar dívidas de produtores.
Aproximação com o agronegócio
A aproximação com o agro também vem ganhando espaço na campanha. No sábado (22/8), Flávio foi à Festa do Peão de Barretos, onde parte do público entoou xingamentos contra Lula. O senador fez um discurso curto em defesa do setor e disse que pretende voltar ao evento em 2027 ao lado do pai.
“Todos nós que acreditamos em Deus sabemos que o agro é o coração desse Brasil que bombeia alimento para todo o mundo”, afirmou.
A próxima agenda está prevista para 2 de setembro, no Rio Grande do Sul. Flávio deve participar da campanha de Luciano Zucco (PL-RS) ao governo, visitar a Expointer, em Esteio, e se reunir com entidades rurais, entre elas a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O estado tem peso expressivo na produção rural brasileira. O Rio Grande do Sul deve responder por cerca de 69% do arroz produzido no país em 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com a Expointer, Flávio voltará a seguir um roteiro já percorrido pelo pai. Em 2022, Jair Bolsonaro usou a feira como palco durante a campanha.
Naquele ano, participou do Desfile dos Grandes Campeões e discursou para produtores rurais. O ex-presidente já havia ido à Expointer em 2021 e também passou, em maio de 2022, pela Feira Nacional da Soja, em Santa Rosa.






