
Mulheres representam maior parte do eleitorado que vota em outubro. Preocupação com a violência cresce entre a população e será destaque

A participação feminina nas eleições deste ano se destaca como uma das principais pautas dos presidenciáveis. As propostas para conquistar o voto das mulheres, que representam a maioria do eleitorado brasileiro, têm como foco o combate à violência, especialmente ao feminicídio e à violência doméstica, que seguem em ascensão.
Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que, em 2025, o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio, um aumento de 4% em relação a 2024. Isso resulta em uma taxa de 1,4 feminicídios por 100 mil mulheres, o maior índice já registrado.
Uma pesquisa recente mostra que a segurança pública lidera as preocupações dos eleitores, com 30% dos entrevistados citando o aumento da criminalidade como um problema significativo, superando até a saúde pública, apontada por 25% dos participantes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua pré-candidatura à reeleição, sancionou três novas leis para fortalecer o combate à violência contra a mulher. Esta iniciativa é uma resposta às crescentes estatísticas de violência, com apoio de diferentes esferas do governo.
Lula continua a manter a preferência entre as mulheres, com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 30%. Este último, sentindo o peso da rejeição enfrentada por seu pai nas eleições anteriores, começou a abordar em seus discursos o aumento dos casos de feminicídio, prometendo uma proteção mais robusta às mulheres.
Flávio, em eventos públicos, alegou que as mulheres eram bem defendidas durante o governo de seu pai e elogiou ações de sua antiga ministra da Mulher. Entretanto, sua popularidade entre o público feminino tem sofrido com episódios negativos, como a polêmica com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Outros candidatos
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, prometeu confiscar bens de condenados por violência contra mulheres e transferi-los para as vítimas. Já Romeu Zema, do Novo, defendeu penas mais severas para feminicídios, sugerindo até castração química e uma pena mínima de 30 anos sem direito a benefícios.
O que defendem os candidatos
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Leis sancionadas durante o mandato visam combater o feminicídio e atender às demandas da primeira-dama.
- Flávio Bolsonaro (PL): Afirmou que as mulheres eram protegidas no governo anterior e propôs medidas mais rápidas para a proteção das vítimas.
- Ronaldo Caiado (PSD): Proposta de transferir bens de agressores para as vítimas de violência doméstica.
- Romeu Zema (Novo): Endurecimento das punições, com propostas de pena mínima e intervenções drásticas.
Atualmente, as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, totalizando 83.877.126 eleitoras, um aumento de 1,83% em relação ao último pleito de 2022. Essa participação crescente sinaliza a relevância que as candidaturas devem prestar atenção nas questões voltadas para a segurança e a proteção das mulheres.