
Em 2026, 17 candidatos com título religioso no nome de urna disputam as eleições no DF, uma redução em relação aos 23 do pleito passado.
12/09/2026 04:00
, atualizado 12/09/2026 07:59
Otávio Augusto/METRÓPOLES

Em 2026, o número de candidatos com títulos religiosos no nome de urna no Distrito Federal caiu para 17, uma redução em comparação aos 23 do ano de 2022.
Embora 17 candidatos se autodenominem religiosos, apenas quatro declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a atividade religiosa como sua profissão. As demais ocupações incluem empresário, recepcionista e psicólogo. Isso indica uma tendência: em 2022, apenas três dos 23 candidatos com títulos religiosos tinham a atividade como ocupação principal.
Entenda o fenômeno
A queda nos candidatos religiosos no Distrito Federal reflete uma tendência nacional, com uma redução de 42% no número de candidatos que usam títulos religiosos em todo o Brasil. Para Matheus Pestana, cientista político do Instituto de Estudos da Religião (ISER), as razões são diversas e ainda estão em debate. Segundo ele, a mudança de estratégia eleitoral pode ser um fator importante.
“Talvez o título religioso tenha sido essencial em determinado momento, mas pode não ser mais necessário quando a liderança já possui reconhecimento público”, analisou.
Pestana ressalta ainda que os candidatos podem optar por não usar títulos religiosos para ampliar seu apelo a diferentes grupos eleitorais.
Christina Vital, professora da Universidade Federal Fluminense, argumenta que a diminuição no uso de identificação religiosa não significa que a identidade religiosa perdeu a relevância. Fatores como a ascensão de candidatos ligados a pautas como Segurança Pública e Justiça também contribuíram para essa mudança.
“A política e religião se tornaram cada vez mais interligadas, mas a identidade religiosa perdeu parte de sua quintessência como estratégia eleitoral”, destacou.
Leandro Gabiati, cientista político, acredita que a decisão de não usar títulos religiosos pode refletir o capital político do candidato. Isso indica uma confiança em sua reputação sem a necessidade de chamar atenção pelo título religioso.
A presença da religião na política vai além do nome de urna, e as instituições religiosas continuam a influenciar o processo eleitoral mesmo que de forma menos explícita.
“Embora tenhamos menos candidatos explicitamente religiosos, a eficácia política das igrejas permanece forte”, concluiu Pestana.
A estabilidade na proporção de candidaturas com títulos religiosos no DF, que se mantém em 2,57% do total desde 2022, revela que, apesar da redução no número absoluto, a identificação religiosa ainda é uma estratégia operacionalizada de outras maneiras.
Evangélicos: protagonismo nas candidaturas religiosas
Os evangélicos, por sua vez, utilizam a identidade religiosa para se destacar em um cenário política dominado historicamente pelo catolicismo.
“As instituições evangélicas buscam eleger candidatos que tragam benefícios políticos, um objetivo que a Igreja Católica já conseguiu em partes”, afirmou Christina Vital.
A viabilidade do uso do título religioso como estratégia eleitoral pode estar se ajustando, mas a influência evangélica na política brasileira permanece indiscutível, refletindo em sua presença em pautas diversas e na dinâmica política como um todo.