Em depoimento à Polícia Federal, o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou ter conhecimento de uma “cultura de omissão” nas falhas técnicas da empresa. A PF sustenta que a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), em 2024, que deixou 62 mortos, decorreu de falhas de gestão, manutenção e segurança operacional, com alertas da Anac sendo ignorados para manter a aeronave em operação.
A investigação sustenta que o caso não foi um episódio isolado, mas representou um padrão na conduta da empresa, que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança. O relatório cita omissões na manutenção de sistemas de degelo, agravadas por uma gestão que ampliou esse risco.
“[Felício] admitiu ter ciência da cultura de omissão de reportes de panes, revelando inclusive que diretores da Anac o alertaram pessoalmente sobre esse padrão de conduta dos pilotos ao longo dos anos”, diz o relatório da PF.
Antes da queda, a aeronave recebeu pelo menos cinco alertas que indicavam falhas operacionais, incluindo a necessidade de evitar a formação de gelo e manter a velocidade mínima de segurança em condições severas, procedimentos que não foram seguidos, contribuindo para a perda de controle.
Felício foi indicado pela empresa em agosto para integrar a cadeia de decisões ligadas a falhas de gestão, manutenção e segurança, aponta a PF. A defesa da Voepass não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Abaixo, imagens associadas ao acidente, apresentadas em galeria responsiva para visualização em grid com lightbox.





A PF aponta que Felício integrava a cadeia de decisões responsáveis por falhas de gestão, manutenção e segurança, que contribuíram para o acidente. Até o fechamento desta matéria, a defesa da Voepass não havia se manifestado.
Este caso reacende o debate sobre a cultura de reporte de panes e a necessidade de manter a segurança como prioridade máxima nas operações, independentemente da pressão por manter a frota ativa.
Acompanhe os desdobramentos nos próximos dias e fique à vontade para deixar sua opinião nos comentários sobre o tema e as possíveis implicações para a aviação brasileira.