MG: quilombo Manzo passa por reforma para assegurar a preservação do patrimônio

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Belo Horizonte – Intervenções de R$ 1,18 milhão corrigiram o risco de deslizamento e recuperaram espaços usados pela comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, em Santa Luzia, na região metropolitana. O investimento, feito pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio do programa Minas para Sempre, utiliza recursos de uma multa da Vale como compensação socioambiental, fortalecendo a memória e a presença dessa comunidade.

As obras incluíram contenção de encosta, drenagem, reconstrução de edificações e melhorias nas redes elétrica e hidrossanitária. Entre os espaços recuperados estão o salão de rituais, a cozinha, anexos e banheiros acessíveis. Também foi erguido um muro de arrimo de seis metros de altura e seis de profundidade para estabilizar a encosta que apresentava risco de deslizamento.


A história do Manzo está fortemente ligada a Mãe Efigênia, figura emblemática de resistência. Descendente de indígenas e de africanos escravizados que viveram no Morro da Queimada, ela se mudou com a família para Belo Horizonte em 1955. O território foi reconhecido como patrimônio imaterial pela prefeitura de Belo Horizonte (2017) e pelo governo do estado (2018), consolidando sua importância cultural e religiosa.

Após décadas de perseguição religiosa e racismo, parte da comunidade se transferiu, em 2007, para o bairro Bonança, em Santa Luzia. O Kilombo Manzo mantém atividades em Santa Luzia e em Belo Horizonte, preservando tradições, rituais e formas de organização que completam a memória coletiva da região.

O território foi reconhecido como patrimônio imaterial pelo município de Belo Horizonte, em 2017, e pelo Estado de Minas Gerais, em 2018.

Obras preservam a tradição

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Maffra, responsável pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do MPMG, a recuperação do espaço representa também a preservação da memória afro-brasileira. “O quilombo Manzo é símbolo de resistência, é um projeto que representa a história de Minas Gerais de uma forma muito significativa”, afirmou.

As obras, concluídas ao longo de cerca de dois anos, decorrem de um acompanhamento próximo das lideranças da comunidade, buscando manter características religiosas e culturais que distinguem o espaço. Ao ver o espaço renovado, Mãe Efigênia se emocionou, descrevendo a renovação como uma “glória” para sua vida e para a memória de sua casa de madeira.

A intervenção visa, principalmente, ampliar a segurança dos moradores e assegurar que o local continue servindo como espaço de práticas culturais, religiosas e comunitárias da comunidade quilombola Manzo.

Convidamos você a refletir sobre a importância de preservar esses espaços de memória e a compartilhar nos comentários como a valorização de culturas tradicionais pode enriquecer a nossa sociedade.

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