Uma das prioridades do terceiro mandato de Lula era a integração sul-americana, que esbarrou em divergências ideológicas na região
Resumo: no terceiro mandato, Lula mantém a aposta na integração sul-americana, mas o projeto esbarra em divergências ideológicas e na força de lideranças conservadoras pela região, especialmente na Argentina sob Milei.
Logo nos primeiros meses, o governo Lula reuniu os chefes de Estado em Brasília para reacender o diálogo e buscar uma agenda comum. nasceu o Consenso de Brasília, um esforço para fortalecer cooperação em áreas estratégicas e responder a crises com mais coordenação.
Porém, a trajetória enfrentou atrito com a chamada Onda Azul na região, liderada pela Argentina, que devolveu protagonismo a governos de direita e trouxe distâncias em relação à ideia de bloco sul-americano. Milei intensificou críticas a blocos de integração e aproximou-se de parceiros conservadores, incluindo o presidente Donald Trump, o que complica a visão de Lula de liderança regional.
O mapa político sul-americano vem se reorganizando: sete dos doze países são governados por forças de direita, centro-direita ou extrema-direita, enquanto o Brasil permanece entre a esquerda e o centro. Peru e Colômbia passaram por mudanças de governo, com Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella saindo vitoriosos, respectivamente, ampliando o peso de posições mais céticas em relação à integração regional.
Para especialistas, sem o apoio das grandes economias da região, especialmente a Argentina, a construção de uma cooperação robusta fica sensível. A crise recente entre Brasília e Buenos Aires revela que não basta a boa vontade brasileira: proyectos distintos para a inserção internacional da região ainda dominam o cenário e desafiam a estabilidade regional, exposta pela dominância da Onda Azul.
O quadro atual mostra que a busca de Lula por uma integração mais firme depende de acordos entre governos com visões variadas. A sustentabilidade desse projeto exige consenso que ainda não se consolidou, em meio a disputas políticas regionais e a uma nova configuração de parcerias estratégicas. Quer saber a sua opinião: você acha que é possível reconquistar esse protagonismo sul-americano?