Prefeito Ricardo Nunes nega relações com produtora do filme bolsonarista Dark Horse
10/09/2026 19:00
, atualizado 10/09/2026 19:32
William Cardoso/Metrópoles

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou sobre a recente operação iniciada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10/9) que investiga Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, relacionado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Este instituto possui contrato com a prefeitura para a instalação de pontos de Wi-Fi, cuja legalidade está sendo averiguada pela Polícia Civil.
A jornalistas, Nunes afirmou que o referido contrato “não apresenta nenhuma irregularidade” e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) está monitorando o caso. O prefeito também criticou o ex-prefeito e atual candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), mencionando que o contrato de Wi-Fi da gestão petista estaria, de fato, irregular.
“O nosso contrato não possui irregularidades. Acompanhamos continuamente. Caso ocorram quaisquer irregularidades, a prefeitura tomará medidas enérgicas”, declarou Nunes.
O prefeito negou também qualquer ligação com Karina Ferreira da Gama ou o instituto ICB, afirmando que a prefeitura cumprirá todas as determinações judiciais. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mencionou antes da operação, a necessidade de dados sobre a investigação em São Paulo.
“A associação entre o filme e o Instituto não tem qualquer relação com o contrato de Wi-Fi da Prefeitura. Se houver irregularidades, a prefeitura tomará as devidas providências, mas não podemos antecipar juízos. O contrato que possuímos é totalmente regular e estamos pagando pelos serviços prestados”, acrescentou Nunes.
Entenda a investigação
Em junho deste ano, a proprietária da produtora GoUp Entertainment, produtora de Dark Horse, foi alvo da Operação Wi-Fi Livre por suspeitas de que a produção do filme teria validade pela utilização de recursos públicos através de um contrato com a Prefeitura de São Paulo.
As autoridades investigam possíveis irregularidades no contrato entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB, que viabilizou a instalação de Wi-Fi em comunidades carentes da cidade. As investigações revelaram falhas graves e indícios de práticas ilegais desde a contratação até a execução do acordo.
- Falta de capacidade técnica: o chamamento público para fornecimento de Wi-Fi envolveu unicamente o ICB, uma entidade sem experiência em telecomunicações, com histórico apenas em eventos literários e religiosos.
- Superfaturamento: a Prodam, empresa pública, cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, enquanto o acordo com o ICB estabeleceu um pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor excessivo em relação ao mercado.
- Descumprimento de metas e fraudes em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para encobrir a demora, foram firmados três aditivos em breves intervalos.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a prefeitura teria adiantado R$ 26 milhões sem a entrega de serviços adequados, identificando pagamentos para 3.200 pontos enquanto apenas seis estavam em funcionamento.
Conforme relatado pelo Metrópoles, a gestão de Nunes informou ter pago R$ 114 milhões pela instalação e manutenção dos pontos de Wi-Fi ao ICB. Segundo dados fornecidos pela prefeitura, os valores foram divididos em R$ 68 milhões para instalação de julho de 2024 a junho de 2025 e R$ 45 milhões para manutenção entre julho do ano passado e maio de 2026.
O Metrópoles está aguardando um retorno da defesa de Karina da Gama e de Mario Frias sobre o assunto.