Prima de Maira Rocha questiona mediunidade da líder espírita e revela contradições familiares

Uma prima da médium Maira Rocha se manifestou publicamente, desmentindo as alegações da líder espírita. Márcia Rocha afirmou que a família nunca percebeu o suposto dom mediúnico de Maira, apesar do que esta divulga nas redes sociais. Enquanto Maira diz que começou a ter experiências mediúnicas aos 4 anos, Márcia comenta: “Novidade para todos nós. Como a cidade é pequena, isso não passaria despercebido”, afirmou durante uma entrevista ao Fantástico, da TV Globo.
O vídeo de Maira, onde ela afirma que sua mediunidade foi notada desde a infância, se tornou viral. No entanto, a prima contesta, ressaltando que a habilidade não poderia ter passado despercebida pela família ou pelos moradores de Jati, no Ceará, onde ambas cresceram.
Márcia ainda comentou sobre o apelido “Lê”, que Maira atribui a um espírito que a ensinou a ler. A prima, no entanto, explica que esse apelido nada mais é que uma abreviação de Alexandrina, seu nome completo. “Na verdade, o apelido Lê veio do nome dela, Maira Alexandrina”, revelou.
A reportagem tentou contato com Maira através do Instagram da Casa de Caridade Inácio Daniel e por telefone, porém, não obteve resposta. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação.
Leilões, inquéritos civis e denúncias de fraudes
A médium gerencia a Casa de Caridade Inácio Daniel em Águas Claras (DF) e foi acusada de receber valores exorbitantes em leilões de roupas usadas durante suas supostas psicografias. Durante um leilão, ela arrecadou R$ 57 mil por um único vestido, persuadindo os compradores a acreditarem que o item era “ungido”.
Uma reportagem do Metrópoles trouxe à tona o descontentamento de algumas vítimas de Maira Rocha, que se sentem enganadas. Uma compradora do vestido relatou que inicialmente achou justo o preço, pois acreditava que as roupas tinham sido utilizadas em momentos de conexão espiritual.

Outra vítima, que pagou R$ 11 mil por um amuleto com alegações de proteção espiritual, também expressou sua insatisfação. Ela declarou: “Coloquei todas as minhas energias neste amuleto”, reforçando o apelo emocional que a médium utilizou para fazer vendas.

Investigações revelam fraudes nas psicografias
Ex-frequentadores e membros da comunidade espiritualista denunciaram que as cartas psicografadas apresentadas por Maira são baseadas em informações falsas e mal interpretadas, obtidas de redes sociais na internet.
Maira Rocha disponibiliza um serviço e, segundo a nota da Casa de Caridade, qualquer um pode receber uma mensagem de um ente querido. Contudo, muitos relatos apontam que as mensagens são genéricas e frequentemente baseadas em posts públicos nas redes sociais das pessoas.
Paulo*, 52 anos, contou que recebeu uma mensagem de sua falecida mãe que apresentou vários erros, revelando que as informações foram retiradas dos perfis sociais da mãe. Durante a leitura, ele se emocionou, mas logo percebeu a inconsistência dos dados.
O texto começa: “Meus amados filhos, lembro que quando pequenos eu ensinava a Salve Rainha…”. Um comentário na conta pessoal de Gabriela no Facebook diz exatamente a mesma coisa, revelando a falha do serviço.
Conforme denúncias, muitos dos bilhetes psicografados contêm informações que apenas poderiam ter sido acessadas online, levando as famílias a denunciar o caso à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Maira continua a ser alvo de investigações a respeito de sua prática. Algumas vítimas alegam que as cartas eram genéricas devido ao uso de informações colhidas de redes sociais, tornando-as completamente imprecisas.