Produtor do filme sobre ex-presidente Jair Bolsonaro se recusa a fornecer informações à Polícia Federal
Arte/Metrópoles

Um dos produtores do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro, não atendeu à solicitação da Polícia Federal para fornecer documentos relacionados à produção. Michael Davis, da Go Up Entertainment LLC, notificou, por meio de um e-mail, que as informações só poderiam ser disponibilizadas com autorização da Justiça dos Estados Unidos.
“De acordo com a orientação legal recebida, não autorizo a entrega de documentos da empresa que estão sob a custódia dos EUA, sem o devido processo legal norte-americano”, afirmou em e-mail enviado no dia 2 de setembro de 2026.
A comunicação de Davis foi divulgada por André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em documentos relacionados à investigação sobre o filme, nesta sexta-feira (11/9). Davis enviou a resposta após a produtora Karina Ferreira da Gama receber um ofício da PF que solicitava a apresentação voluntária dos gastos da produção.
A investigação
A apuração da Polícia Federal busca determinar se o financiamento do filme envolveu práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
As investigações indicam que recursos para a produção do filme teriam sido transferidos de uma offshore nas Bahamas (Entre Investimentos) para um fundo de investimento nos EUA (Havengate Development Fund LP). Durante 2025, foram enviados aproximadamente US$ 12.333.335 (cerca de R$ 63 milhões), em diversas parcelas.
Documentos encontrados no celular do envolvido indicam um acordo que previa um investimento total de US$ 24 milhões (equivalente a R$ 134 milhões na época). Os pagamentos foram estabelecidos em 14 parcelas, com as duas primeiras no valor de US$ 2 milhões cada e as demais no montante de US$ 1.666.666,67, quantias que coincidem com as remessas identificadas nas transações entre a Entre Investimentos e o Havengate Development Fund LP.
O acordo também detalha projeções de lucro para o filme, que incluem cenários pessimistas e otimistas, com estimativas que variam de US$ 45 milhões a US$ 100 milhões. Contudo, o maior sucesso de bilheteira do cinema nacional, Minha Mãe é uma Peça 3 (2019), arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões — cerca de US$ 30 milhões à época.
Adicionalmente, o fundo de investimento Havengate é relacionado a Altierres Santana, corretor nos Estados Unidos, e ao advogado Paulo Sergio Camin Calixto, que defende Eduardo Bolsonaro.