Reaproximação com Alcolumbre ainda não destravou as pautas de Lula

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A reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, começa a mostrar resultados, com a aprovação relâmpaga do PLP dos Combustíveis, mas as PECs da 6×1 e da Segurança Pública seguem sem data para avançar. O encontro entre as lideranças sinaliza uma trégua que pode influenciar a agenda econômica do governo.

O PLP 114/2026, que autoriza o governo a usar receitas extraordinárias do petróleo para compensar tributos sobre combustíveis, foi aprovado no Senado por 61 votos a 2, após tramitação célere em parceria com o Planalto. A Câmara já tinha dado o aval no mesmo dia, acelerando o processo e abrindo espaço para ajustes fiscais ligados ao setor.

A PEC da 6×1 — a proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso sem redução de salários — ainda não tramita no Senado. O texto chegou em 28 de maio e está oficialmente “aguardando despacho”; a liderança não definiu para qual comissão o projeto será encaminhado. A medida representa uma bandeira-chave da campanha de reeleição de Lula.

PEC da Segurança Pública também figura entre as prioridades, mas permanece engavetada no Senado. Enviada pelo governo em janeiro de 2025, foi aprovada pela Câmara em 4 de março e chegou ao Senado em 10 de março. Cinco meses depois, não foi distribuída a nenhuma comissão, deixando a pauta sem avanço rumo a uma maior integração entre órgãos de segurança, sem alterações significativas no funcionamento do SUSP.

A tensão entre Lula e Alcolumbre ganhou contornos com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, em 2025. O presidente do Senado defendia o nome do antecessor, Rodrigo Pacheco, e acabou enfrentando resistência dentro da Casa. A rejeição de Messias no plenário (42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção) marcou a pior derrota de uma indicação ao Supremo em 132 anos, aprofundando o desgaste entre o Planalto e o comando do Senado.

Vitória no PLP dos combustíveis ocorre em meio a esse cenário de distensão. Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir, abrindo espaço para uma “retomada integral” do diálogo. O Senado aprovou o PLP 114/2026 por 61 votos a 2, ao passo que as PECs continuam sob avaliação do comando da Casa sem calendário definido. A conclusão é que a costura política funciona para conteúdos já acordados, mas ainda não destrava as reformas prioritárias do governo.


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