O primeiro semestre de 2026 trouxe um panorama positivo para o setor imobiliário, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Em São Paulo, os estoques de imóveis aumentaram 44%, enquanto o Brasil como um todo viu um crescimento de 8%. Apesar da alta nos estoques, a demanda e as vendas continuam em expansão, o que não preocupa especialistas.
De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o Secovi-SP, o Brasil acumula 351 mil imóveis disponíveis para venda. Na capital paulista, esse número chega a 89 mil. Curiosamente, essa evolução de estoque não ocorre em meio a um desaquecimento das vendas—que subiram 4% em nível nacional e 9% apenas em São Paulo, totalizando 111 mil e 103 mil unidades vendidas, respectivamente.
Além disso, os lançamentos em São Paulo apresentaram um aumento de 11%, alcançando 53 mil unidades, mesmo com a queda de 5% no volume total nacional, que ficou em 98 mil. O crédito imobiliário também disparou, com um crescimento de 23% nos financiamentos, totalizando cerca de 680 mil imóveis financiados entre aquisição e construção.
Michel Cury, presidente da Abecip, destacou que, apesar do crescimento dos estoques em São Paulo, isso não caracteriza um excesso de oferta. “O mercado está se ajustando entre os lançamentos e a absorção das unidades”, afirmou, ressaltando que a taxa de distratos, que passou de 4,5% em 2024 para 4,8% em 2026, deve ser monitorada, mas ainda não sugere um problema crítico no setor.
A Abecip argumenta que a relação entre lançamentos e vendas não é preocupante, havendo uma lógica em que a oferta está crescendo a um ritmo sustentado por fatores como o aumento do emprego e da renda, além do suporte dos financiamentos habitacionais através do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do programa Minha Casa, Minha Vida. Os financiamentos via FGTS, por exemplo, cresceram 22%, totalizando R$ 77,6 bilhões, enquanto as operações de aquisição com recursos da poupança avançaram 12%.
Porém, a Abecip também observou a necessidade de cautela em relação ao cenário econômico, especialmente quanto à trajetória dos juros. Cury afirmou que, apesar do aumento nos custos de captação para as instituições financeiras, não se espera uma diminuição significativa na disponibilidade de crédito, o que continua a incentivar o mercado.
O setor imobiliário permanece otimista, mas é vital que todos fiquem atentos ao comportamento dos juros nos próximos meses. Essa vigilância será essencial para manter a estabilidade e o crescimento do mercado. O que você acha das recentes movimentações no setor imobiliário? Deixe sua opinião nos comentários!