Justiça dos EUA reduz condenação de ex-engenheiro do Google por roubo de segredos comerciais
A Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a anulação parcial da condenação de Linwei Ding, ex-engenheiro de software do Google. Ding, condenado no início do ano por roubar segredos comerciais de inteligência artificial, supostamente em benefício de empresas da China, teve sua culpabilidade apenas mantida no que diz respeito ao roubo de segredos.
O juiz federal Vince Chhabria, do Tribunal Distrital dos EUA em São Francisco, decidiu que as evidências não sustentaram a acusação de que Ding teria a intenção ou conhecimento de que suas ações beneficiariam o governo chinês, requisito essencial para as acusações de espionagem econômica. No entanto, as provas foram consideradas suficientes para a condenação por roubo de segredos comerciais.
Cidadão chinês, Ding foi declarado culpado em janeiro após um julgamento de 11 dias, enfrentando sete acusações de espionagem econômica e sete de roubo. Segundo as acusações, ele furtou milhares de páginas com informações confidenciais da empresa.
Após o veredicto, a defesa entrou com um recurso em busca de absolvição, alegando que o Departamento de Justiça não conseguiu satisfazer o ônus da prova.
As acusações de espionagem econômica preveem penas de até 15 anos de prisão e multas de até US$ 5 milhões, enquanto o roubo de segredos pode resultar em até 10 anos de prisão e multas de US$ 250 mil. A sentença de Ding está agendada para ser proferida em 1º de setembro, conforme a agenda do tribunal.
Um dos advogados de Ding, também conhecido como Leon Ding, expressou satisfação com a decisão judicial. O Departamento de Justiça, por sua vez, não se manifestou imediatamente após o anúncio.
Linwei Ding foi indiciado em março de 2024, com uma nova acusação ampliando as acusações em fevereiro de 2025. Os promotores afirmaram que o acusado roubou informações sobre infraestrutura de hardware e software utilizadas no treinamento de grandes modelos de IA nos data centers do Google.
Os projetos de chips envolvidos no caso visavam dar ao Google, uma subsidiária da Alphabet, uma vantagem competitiva em relação a rivais como Amazon e Microsoft, reduzindo a dependência de chips da Nvidia.
Segundo as acusações, Ding começou a cometer os furtos em 2022, quando estava sendo convidado a se juntar a uma empresa de tecnologia em fase inicial da China. O Google, que não foi indiciado, anunciou que colaborou com as autoridades e também não respondeu a pedidos de comentários.