Resumo rápido: o mercado brasileiro fechou a última semana em um cenário marcado por inflação acima do esperado em julho, balanços do 2T26 em foco e fluxo de capitais estrangeiro que voltou a puxar o lado negativo, tudo isso enquanto os gigantes de tecnologia seguem investindo pesado em IA e mantendo previsões estáveis de retorno.
O IPCA de julho marcou 0,07%, acima das estimativas que apontavam variação próxima de zero e bem acima da leitura negativa de -0,02% prevista pela consensus. A leitura anual, porém, recuou para 4,44%, ante 4,64% de junho, puxada por itens voláteis como alimentação e higiene. Mesmo com esse desvio mensal, o núcleo da inflação manteve desaceleração, sugerindo uma pressão menor no longo prazo.
No câmbio e na bolsa, a saída de capitais estrangeiros ganhou força em agosto. Foram bancos de R$ 3,3 bilhões retirados do mercado à vista e R$ 4,4 bilhões de contratos futuros, ajudando a manter o Ibovespa atrás de seus pares internacionais. O saldo de investidores não residentes no mercado à vista em 2026 caiu para R$ 37,8 bilhões, muito abaixo do pico de R$ 69,1 bilhões registrado em abril.
No campo hiperconectado da IA, os aportes massivos continuam firmes. Grandes empresas de tecnologia mantêm a aposta na infraestrutura de IA, com fundamentos de faturamento previsíveis e contratos que asseguram o uso futuro da capacidade instalada. Esse cenário sustenta as linhas de produção das hyperscalers, mesmo diante de dúvidas sobre retorno imediato de caixa, e reforça a narrativa de inovação como motor de rentabilidade a longo prazo.
Ações internacionais e efeitos no mercado local: a recuperação de ativos ligados a chips na Coreia do Sul, com ganhos de até 22% em pouco tempo, ilustra a sensibilidade do mercado a ciclos de tecnologia e semiconductores. No Brasil, a assimetria entre impacto local e global segue dependente da agenda corporativa externa, com balanços do 2T26 ganhando protagonismo ao lado de indicadores macro.
Desempenho corporativo brasileiro: a Gerdau (GGBR4) tem trajetória de alta, próxima de 20% neste ano, apoiada pela expansão dos negócios na América do Norte, ainda que o consumo interno permaneça volátil. A companhia trabalha para sustentar margens com ajustes operacionais, diante de um cenário doméstico desafiador para a indústria siderúrgica.
Resultados do 2T26: no conjunto, o Banco do Brasil (BBAS3) apresentou lucro acima das expectativas, mas o mercado ainda observa o desgaste da qualidade de crédito para pessoas físicas. Já a CURY3 trouxe métricas sólidas, com leve superávit de faturamento e rentabilidade bruta acima do esperado, apoiando uma leitura mais positiva para o setor de consumo e serviços.
À medida que os dados chegam, o mercado segue monitorando a combinação entre inflação, fluxos de capitais e a qualidade dos balanços corporativos, buscando sinais de retomada mais firme para o segundo semestre. E você, o que acha que vai puxar o Ibovespa nos próximos meses: inflação sob controle, novas divulgações de balanços ou avanços do setor de IA? Compartilhe sua visão nos comentários.