Resumo: o motorista da campanha de Fernando Haddad diz ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar após deixar o candidato em casa. Em mensagens ao advogado, ele relata medo e descreve a perseguição. a SSP divulgou novas imagens que não confirmam a abordagem, mas o caso segue em apuração e gerando versões conflitantes sobre horários e trajetos.





O motorista, que trabalha na campanha do PT, afirmou ter ficado com medo e ter enviado mensagens ao advogado logo após o ocorrido. Ele não registrou boletim de ocorrência e disse estar abalado o suficiente para cogitar deixar a campanha diante do que viveu.
A primeira mensagem sobre o episódio chegou às 22h41, quando ele relatou pelo WhatsApp: “Não quero deixar vocês preocupados, e nem esticar esse assunto até o chefe. Mas fui seguido por uma viatura da PM.” Em seguida, o motorista informou ter procurado orientação jurídica, registrando o relato com um advogado.
Às 21h40, antes de chegar em casa, o motorista avisou em outra mensagem: “em casa, tudo certo”. O episódio envolve imagens da casa do candidato, com registro de Haddad sendo deixado em casa e a viatura passando pela frente, segundo o relato do motorista. Ele disse que a viatura utilizava uma lanterna para verificar quem estava dentro do carro.
Em seguida, o motorista descreveu ter sido seguido até parar em um posto de gasolina próximo, onde percebeu que o around era deliberado. Ele afirmou ter entrado num estacionamento de hotel para despistar a viatura e ter circulado por ruas internas por cerca de 40 minutos antes de estacionar novamente.
Às 22h46, o profissional disse que iria abordar os policiais para entender o que estava acontecendo. Quinze minutos depois, ele informou que estava no hotel esperando a saída da viatura. A cronologia é objeto de divergência entre o que ele relatou e as imagens divulgadas pela SSP.
Nova verificação da SSP
A SSP divulgou imagens mostrando o carro do motorista em frente a um hotel na rua Joinville, às 21h58, de acordo com o registro de um condomínio. Em 22h24, uma viatura passa pelo local sem parar; dois minutos depois, o motorista deixa o hotel. A SSP questionou a interpretação dos horários, afirmando que a viatura não parou, enquanto o motorista sustenta que houve aproximação.
Após a divulgação, o Metrópoles confirmou contato com o motorista, que manteve sua versão. Em nota anterior, a SSP já havia informado ter verificado imagens de cerca de 40 câmeras privadas ao longo do trajeto e, após avaliação, não ter identificado indícios de abordagem ou irregularidades.
“Após a checagem visual, a identificação e o percurso das viaturas foram confirmados pelo sistema de geolocalização dos veículos. A apuração prossegue e, se houver indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito”, informou a SSP.
Numa nova nota, a SSP informou que a presença de viaturas em determinada região, por si só, não caracteriza acompanhamento. O número de câmeras analisadas subiu para 70, segundo a pasta.
Entenda o caso
- Na quarta-feira (12/8), Haddad relatou que o motorista foi abordado por PMs com fuzis após ser deixado em casa na noite anterior (11/8).
- Ao deixar a USP após uma aula magna, Haddad contou que a viatura “jogou luz” no carro, segundo seu relato.
- O motorista acompanhou Haddad até um hotel e, ao perceber a viatura, questionou os agentes sobre o que estava acontecendo.
- Segundo o petista, policiais teriam dito para o motorista “vazar” após o questionamento, e a abordagem teria durado cerca de 40 minutos.
- O motorista descreveu que três fuzis estavam dentro da viatura e que, mesmo após o episódio, ele ficou assustado com a forma como tudo ocorreu.
O caso continua gerando versões distintas entre a reportagem, o motorista e a SSP, com nova checagem de imagens e horários em curso para esclarecer o que ocorreu naquela noite.
E você, o que acha dessa tensão entre campanha e segurança? Deixe seu comentário com sua visão sobre o episódio e a atuação das autoridades na cobertura dessas ocorrências.