Raimundo Nogueira declara bens milionários ao TSE; PF apura atuação em empresa ligada ao caso Banco Master
Resumo rápido: Raimundo Nogueira, estreante na política e candidato a primeiro suplente na chapa de Ciro Nogueira ao Senado pelo PP-PI, informou ao TSE um patrimônio de aproximadamente R$ 19,2 milhões. A Polícia Federal investiga a relação dele com a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Nogueira aparece como suplente na chapa de Ciro Nogueira, chefe do PP no Piauí, e a PF aponta que a CNLF Empreendimentos Imobiliários teria sido usada para receber suposta mesada do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo apurações da investigação. A declaração de bens apresentada ao TSE inclui diferentes classes de ativos, como participações societárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e dinheiro em espécie.
Entre os ativos, a PF destaca que a CNLF teria adquirido 30% de participação na Green Investimentos S.A., empresa apontada como controlada por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. A operação seria avaliada com um valor estimado de cerca de R$ 13 milhões, embora a CNLF tenha pago apenas R$ 1 milhão pela participação, segundo as investigações. Mensagens apreendidas apontam dividendos potenciais de até R$ 2,4 milhões para uma participação de 20% nas duas empresas citadas.
A PF também aponta que Felipe Vorcaro, então presidente da Green Investimentos, estruturou um fluxo de pagamentos para a CNLF por meio da BRGD S.A. Os investigadores mencionam uma “parceria BRGD/CNLF” que teria proporcionado pagamentos mensais de R$ 300 mil, posteriormente elevados para R$ 500 mil, destinados ao senador Ciro Nogueira.
Quanto ao patrimônio declarado, constam ações avaliadas em cerca de R$ 5 milhões, participação societária de R$ 3,9 milhões, quotas empresariais acima de R$ 3,3 milhões e aplicações de renda fixa superiores a R$ 3 milhões. Além disso, o inventário inclui dezenas de terrenos, uma área rural, imóveis urbanos, duas viaturas e saldos em reais, dólares e euros, além de depósitos e outros investimentos.
O que diz a PF: a investigação aponta que a CNLF, ao adquirir 30% da Green Investimentos, pagou menos do que o valor de mercado estimado, sugerindo possível subavaliação do negócio. As mensagens indicam dividendos projetados e o fluxo de pagamentos entre as empresas, o que alimenta as suspeitas de irregularidades na relação entre as partes envolvidas e o financiamento do entorno político.
A apuração, ainda em andamento, envolve a análise de documentos, mensagens e estruturas societárias para entender se há um sistema de pagamentos disfarçados e qual o retorno financeiro real dessas operações para os envolvidos, incluindo o senador Ciro Nogueira.
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