Conflito na Ucrânia pode se estender até 2024, apontam autoridades
Autoridades da Europa e dos Estados Unidos já projetam que a guerra na Ucrânia deverá se prolongar até o próximo ano. A avaliação surge após a recente tentativa dos EUA de facilitar negociações de paz, que não avançou junto ao presidente russo, Vladimir Putin.
Fontes europeias afirmam que Putin planeja intensificar os ataques à Ucrânia durante o inverno, buscando testar a resistência do país e o compromisso dos aliados em apoiar Kiev. Enviados americanos, incluindo Jared Kushner e Steve Witkoff, deixaram Moscou e Kiev sem avanços significativos nas conversas.
Recentemente, Putin e o ex-presidente Donald Trump mantiveram um diálogo de cerca de uma hora para discutir os desdobramentos das visitas dos enviados dos EUA. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, a conversa foi “construtiva e franca”, e ambos concordaram em continuar o contato.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou a expectativa de se encontrar com Trump no final de setembro e ressaltou que as negociações entre assessores de segurança nacional dos EUA, da Europa e da Ucrânia devem seguir. Zelensky defende que novas conversas trilaterais com Washington e Moscou ocorram ainda neste outono.
Em uma declaração recente, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que a Rússia busca retomar as negociações trilaterais e continua aberta a soluções pacíficas. Contudo, Putin mantém a exigência de controle total da região de Donetsk como condição para um possível acordo de paz, um ponto que a Ucrânia rejeita, solicitando um cessar-fogo nas fronteiras atuais para permitir o prosseguimento das negociações.
A Casa Branca endereçou questionamentos sobre o andamento das negociações a um comunicado no qual informou que os enviados americanos discutiram “planos substanciais” durante o encontro com Putin. Após um intervalo de três dias nos ataques determinados por Putin durante a visita dos embaixadores americanos a Kiev, a Rússia retomou os ataques com mísseis contra a Ucrânia. Zelensky anunciou novas conversas com aliados e empresas para expandir o fornecimento de sistemas de defesa aérea.
Ainda segundo fontes da Bloomberg, Putin não demonstrou sinais de que pretende flexibilizar suas exigências, apesar dos esforços dos EUA para fomentar um diálogo de paz. Zelensky observou que os enviados americanos apresentaram “algumas boas ideias”, mas não detalhou o conteúdo delas, afirmando que os temas serão aprofundados antes de qualquer divulgação oficial.
As autoridades europeias consideram que a Rússia planeja intensificar os ataques à infraestrutura de energia da Ucrânia durante os próximos meses, complicando as condições de vida da população no inverno, enquanto também ampliam operações de influência política na Europa para minar o apoio ao governo ucraniano.
O Kremlin poderia estar buscando uma posição mais favorável antes da próxima primavera para as negociações, apesar do crescente impacto sobre a economia russa. De acordo com especialistas, negociações significativas podem levar tempo e não devem ocorrer antes de 2027.
Diante desse cenário, aliados da Ucrânia discutem o reforço no envio de sistemas de defesa aérea. Nações europeias estão formulando um plano para adquirir mísseis Patriot dos EUA a serem enviados a Kiev antes do inverno, utilizando recursos de programas prioritários da Otan para a Ucrânia.
Elbridge Colby, subsecretário de Defesa dos EUA, afirmou que é crucial estar preparado para um conflito prolongado, com necessidades que persistirão nos próximos meses e até anos. Além disso, fontes indicam que Putin utilizou a visita dos enviados americanos para demonstrar força interna, especialmente antes das eleições legislativas na Rússia, marcadas para os dias 18 a 20 de setembro.
Embora haja esperança de que as conversas trilaterais sejam retomadas após as eleições na Rússia, a percepção geral é de que um acordo para encerrar o conflito ainda está distante.
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