Investigação da PF aponta possível irregularidade contábil nas Casas Bahia em meio a reestruturação financeira

A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre a possível “maquiagem contábil” da Casas Bahia. O foco é determinar se a varejista manipulou dados financeiros, a fim de evitar o pagamento de bônus e premiações a seus gerentes.
Os investigadores analisam o sistema de metas da empresa, que utiliza o faturamento das lojas como base para calcular a remuneração variável dos funcionários.
Esse inquérito ocorre enquanto a companhia está enfrentando o fechamento de quase 300 lojas e apresentando um pedido de recuperação judicial ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Informações preliminares sugerem que a empresa pode ter omitido os juros de vendas parceladas em seus relatórios financeiros, contabilizando apenas o “valor à vista” das mercadorias.
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Os investigadores também examinam como a empresa utilizou sua infraestrutura tecnológica para apresentar números que poderiam não refletir adequadamente o faturamento das vendas. Entre os sistemas analisados estão o PRWEB e o Looqbox, que monitoram as metas relacionadas a mercantil, móveis, serviços e crédito da empresa.
A suspeita é de que tais sistemas foram **usados para excluir juros e encargos das vendas parceladas dos relatórios de faturamento**, o que diminuiria a base usada para calcular os bônus de gerentes.
Documentos foram coletados para apoiar a investigação. Há relatos de gerentes que alegam não ter recebido suas premiações integralmente e, ao questionar a empresa sobre isso, foram informados de que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros.
Contudo, a PF possui ofícios do Banco Central e do Bradesco que supostamente contradizem esta versão: os documentos indicariam que Casas Bahia era responsável pelas operações de crédito, sendo que a parceria com o banco não cobria esse tipo de operação.
Com base nessas evidências, a PF busca investigar possíveis práticas de fraude ou falsificação, além da extensão desta conduta, uma vez que essas ferramentas são utilizadas por lojas da companhia em todo o Brasil.

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Loja das Casas Bahia
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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Divulgação
Dívida
A companhia tenta renegociar dívidas que somam aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O plano de reestruturação prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários.
Atualmente, a empresa possui proteção temporária contra credores enquanto aguarda a análise do pedido de recuperação judicial protocolado no dia 16 de agosto.
Além disso, uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) suspendeu as demissões coletivas anunciadas pela empresa.





