Rio registra 47 acidentes aéreos em 10 anos, dados do CENIPA mostram

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O Rio de Janeiro viveu o quinto acidente aéreo fatal em oito meses, com a queda de um helicóptero na Vista Chinesa somando-se a outras tragédias no estado. Em meio a esse rastro de vítimas, o Cenipa aponta falhas técnicas e de coordenação, como o transponder desligado de uma das aeronaves e o uso de uma Frequência de Coordenação Aérea (FCA) que não era monitorada. Além disso, não houve gravação das comunicações entre as aeronaves, o que dificulta a apuração dos fatos.

Acidentes aéreos no Rio vêm se acumulando desde o último ano, e esse cenário aumenta a pressão por avaliações mais rigorosas de segurança e de procedimentos entre pilotos, controladores e empresas de aviação. O registro de fatalidades nesses episódios evidencia a complexidade de se operar helicópteros em áreas urbanas com fluxo intenso de tráfego aéreo.

O Cenipa detalhou que, na ocasião, os dois helicópteros envolvidos pretendiam seguir a mesma rota. Porém, o helicóptero que transportava artistas mantinha o transponder desativado, não sendo detectado pelos radares. Além disso, as comunicações entre as aeronaves não ficaram gravadas, o que reduz a capacidade de reconstruir com precisão a sequência de ações que levou ao acidente.

A investigação ressalta ainda que, durante o fim de semana, as aeronaves passaram a operar pela FCA — uma faixa de comunicação não monitorada pelos órgãos de controle. A ausência de gravações de voz entre as helices sugere falhas de coordenação e aumenta o risco de conflituosa convivência entre voos próximos, especialmente em áreas com demanda turística e eventos aéreos.

Em Guaratiba, na Zona Oeste, três pessoas morreram quando um helicóptero caiu em uma área de mata fechada. Eram Diego Dantas Moraes, 36 anos, Sérgio Nunes Miranda, 36, e o capitão bombeiro Lucas Silva Souza, todos pilotos. Moraes, na operação, dava instruções a seus colegas durante voo de familiarização com o modelo da aeronave.

Pouco antes, em dezembro, um avião que fazia propaganda sobrevoando a praia de Copacabana caiu no mar. O piloto Luiz Ricardo Leite de Amorim faleceu em seu primeiro voo na função, encerrando mais um capítulo sombrio da segurança nesse tipo de operação de aeronaves em áreas urbanas.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), desde 2016 já são 47 acidentes aéreos registrados no estado, com 16 deles terminando em 38 fatalidades. Dados indicam que, na maioria dos casos com morte, houve contribuição humana por desempenho técnico ou aspectos psicológicos, enquanto apenas 11% se correlacionaram a fatores do ambiente operacional. As investigações permanecem em curso, buscando esclarecer causas específicas de cada episódio.

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