Em Brasília, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que o Brasil investe pouco em Defesa — cerca de 1% do PIB — e pediu aporte maior para modernizar as Forças Armadas, em meio a um cenário de tensões com os Estados Unidos e a necessidade de aumentar a capacidade de dissuasão.
“Abro o portão”, disse Múcio, ao responder como o Brasil reagiria a uma eventual invasão dos EUA, para ilustrar a insuficiência de recursos no setor.
Em seguida, Múcio explicou que a resposta não é literal, mas uma metáfora sobre a fragilidade de equipamentos e orçamento. “Porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, ressaltou, para evidenciar a urgência de ampliar os investimentos.
O ministro destacou que o déficit não é apenas de verba: sem investimentos, o país não consegue modernizar a defesa. Hoje, o orçamento dedicado à Defesa fica em torno de 1% do PIB, o que, na prática, limita aquisição de novos equipamentos, atualização de frotas e capacitação de tropas.
Investir em Defesa, explicou, não significa planejar invasões: é como um “plano de saúde”, em que se escolhe o melhor caminho para manter a proteção nacional, torcendo para não precisar usar o aparato.
As declarações ocorrem em meio a tensões com Donald Trump, atual presidente dos EUA, em seu segundo mandato. Recentemente, Washington anunciou tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros e prorrogou a emergência nacional que sustenta sanções, elevando o tom da relação entre os dois países. Também houve a revogação de visto da embaixadora brasileira em Washington e a recusa de vistos a dois diplomatas norte-americanos.
O encontro da CNI, além de discutir defesa, tratou da descarbonização do transporte marítimo e reuniu representantes do governo, da indústria e do setor naval, com a participação do almirante Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha, para debater caminhos mais sustentáveis sem perder a capacidade de defesa.
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