O Copom reduziu a taxa básica para 14% ao ano, mantendo um juro real elevado. Mesmo assim, fundos imobiliários (FIIs) têm distribuído rendimentos que, em muitos casos, chegam a superar a própria Selic.
Um levantamento do InfoMoney com dados da Economática mostra que 8 entre 34 FIIs com mais de R$ 1 bilhão de patrimônio e sem perdas nas cotas no ano apresentaram dividend yield nominal superior aos 14% da nova Selic, com ganhos apurados em 12 meses.
Entretanto, quando se considera o ganho líquido após o IR de pelo menos 15% sobre a Selic de 14%, o número de FIIs que supera o rendimento líquido aumenta para 20 de 34. Isso reforça a importância de separar o rendimento bruto do efeito da tributação na hora de comparar retornos.
Entenda melhor: Fundos Imobiliários: tudo o que você precisa saber para investir. Entre os exemplos de FIIs com destaque, destacam-se alguns com dividend yield elevado: Valora CRI CDI (VGIR11) 15,98% e retorno no ano de 5,68%; Mauá Capital Real Est. (MCRE11) 15,58% e 2,38%; Iridium FI Imob. (IRIM11) 15,21% e 5,86%; Capitania Securities II (CPTS11) 14,67% e 4,79% (dados da Economática).
Rentabilidade passada não é garantia de ganho futuro, mas o levantamento aponta que há FIIs com retorno considerável. “Quando a gente faz a conta do dividend yield de muitos fundos, eles estão rodando muito próximos de um CDI líquido, já descontada a alíquota de imposto”, afirma Marx Gonçalves, head de fundos listados da XP Investimentos.
Gonçalves cita que, entre os fundos de tijolos, o Vinci Logistica e o XP Logística costumam apresentar ganhos próximos a 95% do CDI líquido. Nos fundos de papel, o ganho é ainda maior, e nos multiestratégia também. Ele ressalta, porém, que é essencial comparar a aplicação já líquido da tributação.
O cenário também mostra que o IFIX, índice de fundos imobiliários da B3, acumula queda de 0,4% no ano até 6 de agosto, refletindo a pressão dos juros. Mesmo com a desvalorização de cotas, muitos FIIs continuam gerando proventos estáveis, o que reforça a tese de estudo de prazos médios a longos para a classe, diante de oscilações de curto prazo.
Para Matheus Jaconeli, analista da ZIIN DTVM, o corte de juros já era esperado pelo mercado e não trouxe impactos relevantes no curto prazo. A expectativa é de mais um ajuste suave, mantendo o juro real elevado. O investidor deve observar a qualidade dos ativos, a governança do fundo e os riscos de vacância ou de receita nos imóveis, especialmente em shoppings e galpões.
Gonçalves, da XP, reforça que o retorno em dividendos é importante, mas não o único critério: qualidade dos ativos, gestão e ao preço das cotas em relação ao patrimônio definem a rentabilidade a longo prazo. Não adianta investir em uma ótima gestão a um preço errado, pois a rentabilidade pode ficar menor do que o esperado.
E você, já avaliou FIIs que pagam mais que a Selic? Compartilhe suas experiências e dúvidas nos comentários para ajudarmos quem está escolhendo entre tijolo, papel ou híbrido.