Bolsonaro só acumula reveses, desta vez com os maiores bancos

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Qualquer hora dessas, para desânimo dos que o cercam mais de perto, Bolsonaro voltará a rugir. Ele acha que tem feito mais concessões do que deveria aos que o aconselham a ter calma e a baixar o tom de suas declarações. A contragosto, soltou uma nota lamentando a morte de Jô Soares que já o criticou duramente.

Tudo isso contraria sua natureza e não se traduz em votos, ou não se traduziu até agora. Verdade que nas pesquisas ele cresceu entre as mulheres e os jovens que resistem a aceitá-lo, e recuperou o espaço perdido para Lula entre os evangélicos. Melhorou a avaliação do seu governo. Mas, de novo, no cômputo geral…

No geral, continuam faltando os votos para não ver Lula eleito no primeiro turno. E se na reta final da campanha, os eleitores de Ciro Gomes (PDT) o abandonarem e correrem para o colo de Lula? E se Simone Tebet (MDB) ao não deslanchar resolver recomendar o voto em Lula? Bolsonaro não está otimista, pelo contrário.

E se não bastasse, ele se vê desafiado por quem não esperava que o fizesse. É o caso do prefeito Eduardo Paes (PSD), do Rio. Paes anunciou que o desfile de 7 de setembro acontecerá no lugar de sempre, a Avenida Presidente Vargas, no centro, e não na orla de Copacabana como queria Bolsonaro, reduto eleitoral dele.

Paes deve ter tido respaldo militar para agir assim. O desfile em Copacabana seria mais político do que cívico e militar. E certamente daria ensejo a manifestações de caráter eleitoreiro que pouco interessa aos comandantes das Forças Armadas. Faltam apenas 57 dias para o primeiro turno das eleições.

E se não bastasse Paes, não bastasse a Carta pela Democracia com mais de 750 mil assinaturas, não bastasse o manifesto da Federação das Indústrias de São Paulo em defesa do Estado de Direito, os maiores bancos privados do país decidiram não conceder crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil.

Bradesco, Itaú, Santander, Nubank, BMG, entre outros, pularam fora da jogada escandalosamente eleitoreira de Bolsonaro. Os bancos devem satisfações aos seus acionistas, preocupam-se com a própria imagem e não querem mais tarde ser acusados de ajudar Bolsonaro a comprar votos dos brasileiros mais vulneráveis.

O Auxílio Emergencial de 600 reais por mês acaba em dezembro. O governo não estabeleceu limite para a taxa de juros a ser cobrada na concessão do crédito consignado. Bancos menores e financeiras já oferecem dinheiro na mão a uma taxa de juros anual de 80%. O endividamento dos pobres aumentará a galope.

Bolsonaro pouco liga para isso, só pensa em se reeleger. Dos pobres, deseja os votos que lhe assegurem uma vaga no segundo turno. Se depois eles concluírem que foram vítimas de mais um golpe e que sua situação só piorou, o problema será deles. Bolsonaro nunca gostou dos pobres, foi eleito pelos mais ricos.

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