Celular blindado como carro? Conheça a empresa baiana que quer aposentar a película

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Tem quem chore, fique chateado e até mal-humorado quando aquele celular caro e pago em longas e comprometedoras parcelas cai no chão e trinca a tela. E quem nunca teve uma tela de smartphone rachada na vida, conta aqui para gente como conseguiu essa façanha até agora, porque os aparelhos estão cada vez mais frágeis e sensíveis ao impacto. Não é à toa que é quase impossível encontrar um celular hoje que não tenha uma película protetora. 

Seja o acessório adquirido em uma loja, no camelô ou em promoção na Shopee, o fato é que a película se popularizou na tentativa de amenizar o risco – ou, na maioria das vezes, prejuízo. Mizael Luz e Elídio Segundo, sócios da Soft Blindagem (@softblindagem), marca especializada em serviços para celular, perderam as contas de quantos aparelhos  trincaram a tela em alguma queda, ao longo do tempo. Foi daí que surgiu a ideia de trocar a película pelo TPU, mesmo material termoplástico usado para blindar carros, a fim de tornar o smartphone mais resistente.

“Todos os celulares pessoais que já tive quebravam a tela. Todos. As películas não protegiam como deveriam. A gente entende como consumidor que, em termos de atendimento e produtos nesse segmento, nós somos muito carentes. Então, buscamos uma alternativa melhor para oferecer e que trouxesse efetivamente essa proteção para o aparelho”, afirma Mizael.

A blindagem foi testada em 40 aparelhos até chegar à oferta do serviço da maneira como é feita hoje, complementa Elídio. “Ela funciona absorvendo e dissipando os impactos sem que o aparelho quebre. A proteção é eficaz para 98,6% dos clientes que usam no período de 1 ano e não têm a tela quebrada. Ainda damos quatro meses de garantia da sua tela”.

A operação em Salvador iniciou há nove meses. Em média, a empresa chega a blindar mil aparelhos por mês, representando metade do faturamento da marca, que tem um ganho estimado em R$ 1 milhão. A Soft Blindagem tem a aplicação presencial na unidade instalada no Edifício Mondial, no Caminho das Árvores, e em lojas de parceiros nos bairros de São Cristóvão, Rio Vermelho, Barra, Imbuí, Alphaville, Comércio, Cabula, Pituba e Marechal Rondon. No interior do estado, são outras 67 lojas parceiras. A blindagem também pode ser adquirida de forma online com retirada e devolução grátis na casa do cliente.

O serviço completo varia de R$ 196,30 até R$ 226,30 e ainda de acordo com Elídio pode chegar a um valor mais de 10 vezes menor, na comparação com a troca de tela de um modelo mais novo. “O custo de uma troca de tela depende do tipo de tela e do fabricante. Em geral, fica entre R$ 300 e R$ 500 para celulares mais antigos e de R$ 800 a R$ 3,5 mil para modelos mais avançados e recentes de iPhones e Samsungs”.

A blindagem não está restrita só a aparelho de celular. Mizael Luz afirma que dá para blindar todo e qualquer aparelho eletrônico que tenha uma tela de até 16 polegadas, além de console de games, multimídia de carros. O processo de blindagem leva menos de 15 minutos. Se alguém chegou até aqui e está com dúvida se a blindagem altera ou interfere no touch screen, ou em alguma funcionalidade do display, o sócio da Soft garante que nada muda. 

“A blindagem não interfere no peso e nem no designer do aparelho, pois tem apenas 30 microns de espessura. A máquina de corte de blindagem e o material vêm importados da Coreia do Sul”.

Fim de uma era 
Será o fim das películas de celular? Misael defende que sim: “A era das películas está com dias contados. Todo produto passa por revoluções no decorrer do tempo e foi assim também com as películas de celular. Primeiro vieram as películas de plástico, depois a de vidro, a 3D, o PET, o hidrogel. Agora é a vez do TPU, que inova pela sua alta resistência”.

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Nova loja está prevista para ser inaugurada em novembro
(Foto: Ana Albuquerque/ CORREIO)

O interesse pelo serviço tem crescido tanto que a Soft Blindagem já negocia a abertura de uma nova unidade da marca em um shopping de Salvador. A ideia é que a loja tenha uma arena de experiências e testes com objetivo de tornar imersiva a experiência de escolher o modelo mais adequado de blindagem, como adianta o outro sócio da empresa, Elídio Segundo.

“O cliente vai poder testar uma queda de 2 a 3 metros de altura para garantir que a blindagem aguenta o tranco. Estamos também montando uma assistência técnica de ponta em que você possa levar seu celular para consertar, subir para assistir um filme e na saída retirar seu celular de volta em perfeito estado”. A inauguração está prevista para novembro e deve gerar cerca de 20 postos de trabalho diretos. Os investimentos já somam R$ 400 mil.

E o potencial de mercado existe. Para o analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-BA), Wagner Gomes, o desafio para atuar neste segmento está justamente em acompanhar as constantes mudanças.

“Hoje, todo mundo tem um smartphone e ninguém consegue ficar longe dele. Portanto, entendemos que há muita demanda. Porém, a cada período curto de tempo, o que era novidade torna-se obsoleto, o que torna crucial estar antenado às constantes transformações que esses tipos de serviços, acessórios e aparelhos sofrem”, comenta.    

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