Ex-usuária relata como conseguiu dar a volta por cima após sair da Cracolândia

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Hoje, ela tem 41 anos, é casada e mãe de uma criança de 5. Bianca Pagliarin é de uma família de classe média alta de São Paulo. Mas a droga não escolhe classe social e quando entra na vida de uma pessoa dificilmente dá uma segunda chance. Quando ela estava perto de completar 19 anos, Bianca conheceu a maconha, depois a cocaína e o fundo do poço, o crack. “O abismo. É abismo mesmo. Eles caem no mesmo abismo. Eu caí nesse abismo e eu fui resgatada pela boa vontade da minha mãe, pela dedicação, pela garra mesmo dela de ir atrás. As minhas internações foram compulsórias, foram quatro internações. Gostaria muito de dizer que foi a primeira, que eu já tive o despertar, mas não foi. Eu precisei passar quatro vezes por esse processo, um tratamento, para tirar mesmo a droga do organismo. A droga circulando. Uma desintoxicação”, conta ela.

Hoje, Bianca é coach e ajuda pessoas com dependência química e depressão. Lembrar da pior fase da vida mostra como a droga usa atalhos invisíveis para acabar com a vida de uma pessoa. “Eu super acredito que o início disso tem a ver com uma autoestima baixa, a vontade de pertencer a um certo grupo, mas também uma vontade de anestesiar. Então, eu comecei na cocaína, depois logo no crack, e o dependente químico, quando ele passa para o craque e se torna, como foi comigo, rapidamente, uma dependência, porque desde a primeira vez já foi amor e ódio, ao primeiro uso, eu creio que vira a razão de viver. E foi isso que aconteceu comigo”, completa Bianca.

A ex-modelo conheceu celebridades famosas, mas ficou no meio do caminho. “Eu conhecia pessoas importantes, eu conhecia a Gisele Bundchen, eu conheci modelos muito famosas, Ana Hickmann, fiz foto com Ana Hickmann, então eu tinha uma certa noção de como aquilo era tão diferente e, ao mesmo tempo, se eu parasse, a impressão que eu tinha é que eu ia ficar com um buraco gigante. E ficou”, diz. Para quem é viciado, qualquer dinheiro é sinônimo de uma pedra de crack. “Eu não enxergava uma nota de R$ 10 como uma nota de R$ 10 ou ‘poxa, consigo comprar uma água com isso’. Não existia isso assim. R$ 10 para mim era uma pedra. Era isso que eu conseguia só enxergar”, relata.

Bianca foi obrigada pela mãe a se internar quatro vezes. O caso dela é semelhante ao que a prefeitura de São Paulo vem fazendo, como explica o médico psiquiatra Eduardo Perim, que classifica a ação da prefeitura como um retrocesso. “Internar involuntariamente qualquer pessoa que está na cracolândia, na verdade, é um desrespeito, na verdade, à autonomia daquele paciente”, disse. O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar a conduta da prefeitura sobre a internação involuntária. De acordo com a denúncia, a prefeitura usa a própria máquina pública para apenas dispersar os dependentes químicos do centro da cidade. Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), as pessoas são encaminhadas para o Hospital Municipal da Bela Vista, no centro da capital, e, ao contrário o que diz o Ministério Público, o prefeito garantiu que os dependentes químicos internados vão ficar em tratamento por 90 dias, conforme a lei, e, após esse período, o dependente químico continua o tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial e também no Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica.

*Com informações do repórter Maicon Mendes

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