‘Não é possível comparar coisas desiguais’, diz Rui sobre anuários de segurança

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O governador Rui Costa comentou nesta quinta-feira (30) o Anuário Brasileiro de Segurança Pública que apontou a Bahia como o estado com a maior taxa de mortes violentas no Brasil. Para Rui, levantamentos comparando estados brasileiros não deveriam ser considerados enquanto não houver uma padronização nacional nos registros de crimes. 

“Cada um escreve o anuário que quiser, cada associação faz o que quiser, mas não é possível comparar coisas desiguais. Cada estado usa um critério para registrar as ocorrências. Tem estado que registra homicídio quando a polícia tá envolvida. Tem outros  que não registram. Tem estado que quando você encontra corpo com afundamento de crânio, se foi retirado de uma lagoa, rio, alguns classificam como morte a investigar. Outros como a Bahia, se tá claro que ele recebeu uma pancada e o corpo foi jogado na água, a gente classifica como homicídio”, exemplificou o governador.

Como gosta de fazer, ele usou uma metáfora envolvendo futebol para explicar sua opinião. “Estamos comparando coisas absolutamente desiguais. Então não reconheço, não por má fé, mas porque cada estado utiliza um critério diferente para classificar. É como se a gente tivesse um torneio de futebol e um time registrasse os gols que fazem de mão e o outro não registra. Aí depois você vai dizer: esse time fez mais gol. Mas fez mais gol como? Tá fazendo gol de mão, cada um tá registrando de um jeito. Não é possível comparar coisas desiguais”, avaliou.

Ele expressou o desejo de que no futuro exista uma normatização nacional nessa questão, como existe na área de saúde. “Você vai no hospital, você tem os padrões técnicos que tem que classificar o motivo da morte daquela pessoa, não fica a critério de cada hospital ficar avaliando, tem lá as normas que ele tem que classificar. Aí você pode comparar. Quando a classificação não segue um padrão, não da pra comparar. É o caso desses anuários, desses índices que se anunciam de segurança pública”, reafirmou.

Para Rui, o Brasil precisa discutir de maneira séria dois tópicos para melhorar no aspecto da segurança pública. O primeiro é a questão do tráfico de drogas, sob a perspectiva também dos consumidores. “Brasil se tornou 3º, 4º ou 5º maior consumidor de droga do mundo. Fim de semana passado apreendemos 100 kg de droga aqui em Pituaçu. Era para ser jogado no lago? Não, era para ser consumido. Quem tá consumindo? A sociedade tá consumindo droga e a droga mata. É responsável por 75% dos homicídios no Brasil, direto e indireto. E a gente não quer enxergar isso. As mesmas pessoas que falam da violência, muitas são consumidoras das drogas. Compram droga na mão de adolescente, pra satisfazer seu prazer pessoal”, disse o governador.

O outro ponto criticado por ele foi a audiência de custódia, que é realizada após prisões em flagrante para avaliar a legalidade da detenção. “Não é possível fazer segurança pública com esse prende e solta que estamos tendo. A pessoa pode ser presa com dez fuzis e é solta com poucos dias. Na Alemanha, Inglaterra, França ou Itália, se alguém for preso com dez fuzis ou 30 kg de dinamite vai ser solto no outro dia? Ou a gente discute seriamente isso ou a gente tá falando retórica só para ocupar páginas de jornal sobre segurança”, finalizou.