Risco e cor em exposição de Stênio Burgos na Caixa Cultural

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Em cartaz na Caixa Cultural Salvador,  na  Rua Carlos Gomes, individual do artista cearense Stênio Burgos nomeada Barroco Sertanejo.  José Stênio Burgos de Macedo nasceu em Crateús, 1954, filho de um médico cearense e de uma baiana. Criado entre a severidade do sertão e o calor da baianidade, essa mistura muito influenciou o modo de ver o mundo deste artista. A curadoria da mostra, que fica em cartaz até 19 de junho, é de Denise Mattar. 

Embora apresente majoritariamente obras realizadas entre 2020 e 2021, a exposição se reveste de um olhar para trabalhos do passado, compondo em conjuntos, suas principais pesquisas. Podem ser vistas paisagens de 2003 a 2021, elaboradas através de uma pintura–desenho delineada em traços rápidos e vigorosos construídos com espessa materialidade. 

Outra vertente de sua produção é sobre a linguagem da cor, que resulta em variadas escalas cromáticas, construídas por séries de pequenas pinturas, ou grandes painéis de tecido, formando graduações colorísticas precisas. Há uma forte influência da Holanda, país no qual Stênio morou por longos períodos entre 2004 e 2019, e isso se faz presente na mostra, através do desafio que o artista fez para si mesmo de pintar buquês de flores da estação, um a cada semana, mês a mês. 

Aos buquês o artista acrescenta com frequência os símbolos da fé da nossa gente: imagens devocionais e santos protetores, Jesus e Maria, São Jorge e Iemanjá, deuses ibéricos e africanos. Uma mistura improvável do sincretismo brasileiro e o colorido floral europeu, com traços de nostalgia e lirismo. A exposição se encerra com as Cartas do Confinamento,  duas séries  produzidas em 2020, quando Stênio se isolou na sua casa, na praia de Amontada. 

Foram momentos de reflexão sobre a solidão e a finitude humana, que podem ser vistas nas séries: A Invenção da Solidão e o Ensaio Sobre a Cegueira, também no painel Odisseia, uma grande pintura in progress, que se renova continuamente. Ao transformar a tinta em espiritualidade, Stênio Burgos encontra a essência de sua busca – a consagração da vida. Seu trabalho revela o Ceará, um chamamento para defender a natureza e enaltecê-la. 

Nada é fictício ou imaginário nos quadros do artista quando destila a poesia do tempo passando e faz com que o espectador passe a transfigurar com os olhos, o que antes não lhe chamasse atenção. Com suas pinceladas vigorosas, pintou ruas repletas de passantes e ciclistas eufóricos com o verão, registrados a partir de sua janela. 

Ele narra momentos vividos e revela detalhes que poderiam passar despercebidos pelo público. Ele refaz um caminho, que já trabalhou, numa revisão mais cuidadosa.

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