Sebrae realiza 1ª Feira das Pretas em Salvador

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O Sebrae em Salvador, por meio do Programa Sebrae Delas, realizou a 1ª Feira das Pretas neste sábado (30). O evento, em comemoração ao Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha aconteceu na Agência Sebrae, no bairro Costa Azul. 

O objetivo é gerar negócios, ampliar o alcance de novos mercados, além de fomentar a sustentabilidade e independência financeira de negócios liderados por mulheres negras de Salvador e região metropolitana.

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Juliana Lima, empreendedora da marca Amuu, e seu filho, Guilherme Silveira, 9 anos, o ‘estagiário’ (Foto: Darío G. Neto/ASN Ba)

A empreendedora Juliana Lima foi uma das participantes do evento. Ela levou a sua marca para a feira, a Amuu, criada em 2019 para fabricar cosméticos e aromatizadores naturais artesanalmente. Juliana faz a manipulação de essências e óleos de acordo com o perfil de cada cliente. 

“Eu produzo soluções afetivas exclusivas considerando as características e necessidades do cliente. Mas além disso, nós fazemos linhas autorais de aromatizadores de ambientes, seja para casa, ou para carros”, explicou.

Juliana é natural de Conceição do Coite, no nordeste baiano, mas mora em Salvador há 10 anos. Ela conta como conseguiu manter a marca durante a pandemia e retornar ao mercado alcançando públicos internacionais. “Quando comecei a Amuu já entendi que precisava de crescimento e foi o Sebrae que me ajudou a alavancar meu negócio. Quando a pandemia começou, nós estávamos num processo de escalada, vendendo para Europa. Foi quando tivemos de recuar”, explicou a profissional que é acompanhada pelo Sebrae Delas.  

“A Amuu passou vários momentos de adversidades, mas foi fortalecida por toda segurança que o Sebrae ofereceu. Em dezembro de 2021 voltei a vender para Milão, Lisboa e República Tcheca”, comemora a empreendedora. 

Para Juliana, a feira promovida pelo Sebrae deu a oportunidade para ela e outras marcas aparecer num ambiente favorável e com muita visibilidade. “Eu tenho Sebrae como minha casa. Todas as atividades que propõe a fazer, eu faço. É um espaço que dá abertura para a gente, enquanto mulher preta, a participar e começar um negócio. É muito sacrifício sair da invisibilidade, pois as pessoas não reconhecem as mulheres pretas como donas de seus próprios negócios. Não consigo ver a Amuu hoje sem o Sebrae. Aqui nós somos pares”, concluiu. 

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Clientes conhecem os produtos de Juliana Lima, da Amuu (Foto: Darío G. Neto/ASN Ba)

Saindo do stand de Juliana, Fernanda Gonçalves falou sobre a importância do evento para mulheres pretas empreendedoras. Ela também tem um negócio, mas esteve no evento como visitante. “A Feira está muito boa e agregando vários profissionais. Estamos tendo a oportunidade de conhecer novos negócios e novos empreendimentos. É muito importante fortalecer o empreendedorismo feminino, principalmente aqui em Salvador, onde é bem difícil de encontrar eventos com essa facilidade de se divulgar e trazer outras pessoas para participar”, comentou. 

Outra participante da Feira foi Rita Fernandes. Ela conta que empreende antes mesmo de saber o que era empreendedorismo. Em 2021 Rita saiu do trabalho e resolveu formalizar seu negócio. Hoje ela é responsável pelo Produtos da Rita (@pdtdarita).

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Rita levou seus produtos para a Feira do Sebrae (Foto: Darío G. Neto/ASN Ba)

“Desde a casa da minha mãe que eu já empreendo, mas não era oficial. Eu saí do trabalho e avisei: ‘eu não quero trabalhar para outra pessoa. Eu quero, também, colocar o meu negócio’. Minha filha começou me ajudando e estou aqui, tentando para chegar bem mais longe”, disse.

Rita falou com alegria sobre a oportunidade de expor seus produtos na Feira do Sebrae. “Se eu ficasse em casa não teria gente elogiando meu trabalho e comprando meus produtos. Eu estou amando. Infelizmente, na sociedade, existe uma certa restrição às pessoas negras. Ter alguém apoiando o empreendedor negro é de fundamental importância. E que não pare por aqui. Que venham outros eventos, pois eu tenho muito potencial”, disse Rita.

Além da feira com produtos de empreendedoras negras, o público contou com palestra sobre acesso a novos mercados, mentorias, dinâmica com dança circular, talk show com cases de sucesso e momento para network e visitação à exposição de produtos e serviços.

Apoio
Para Taiane Almeida, especialista em pequenos negócios e gestora do Sebrae Delas na regional Salvador, o evento está em total acordo com a missão da instituição. “O Sebrae Bahia já possui ações dentro do programa Sebrae Delas que tem como principais objetivos a promoção do empreendedorismo feminino, aumento da competitividade dos pequenos negócios liderados por mulheres e o aprendizado e disseminação de boas práticas para apoiá-las”, explica.

A gestora estadual do programa Sebrae Delas, Rosângela Gonçalves, acredita que é importante que o Sebrae esteja atento a estes dados e assuma esse compromisso de apoiar as afro-empreendedoras. “A gente sabe que o racismo estrutural acaba marcando divisões, também, dentro do empreendedorismo feminino. Existe um abismo de oportunidades entre mulheres negras e brancas, então quando apoiamos iniciativas como essa, que buscam dar evidência, buscar propor equidade para que essas mulheres consigam um terreno mais fértil para prosperar nos seus negócios, estamos lutando para um mundo mais justo, com condições mais favoráveis e que a gente possa oportunizar que essas mulheres negras também consigam ser competitivas em seus negócios”, destaca.

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