O peso colombiano desponta entre os mercados emergentes, puxado pelo carry trade, mesmo com o banco central tentando frear a valorização da moeda. A autoridade anunciou a construção de reservas de até US$ 4 bilhões e, apesar das medidas, a moeda tem apresentado alto retorno esperado, próximo de 20% em 2026, tornando-se uma das melhores apostas entre os emergentes. A posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella, que assume hoje, também traz um ânimo novo aos investidores, com promessas de reduzir o déficit fiscal e conter o aumento da dívida pública.
Na sexta-feira, após o fechamento, o banco central surpreendeu ao interromper a sequência de altas de juros e anunciar o planopara acumular reservas. O efeito foi imediato: na segunda-feira, o peso caiu, mas a pressão se afastou rapidamente, e, até quinta-feira, a moeda já recuperara quase todas as perdas, evidenciando a dificuldade de conter um carry trade tão popular neste ano.
“O carry continua sendo o principal fator”, disse Jose Prieto Jaramillo, executivo do BTG Pactual em Bogotá. Segundo ele, mesmo com a decisão de manter os juros, o mercado continua apostando em inflação elevada e, com isso, em uma trajetória de aperto monetário que sustenta o peso.
Nesta quinta-feira, o peso avançava 0,3%, acumulando alta de 2,1% em três dias, após cair 2,4% na segunda-feira. No ano, a moeda já registra cerca de 19% de valorização, quase o triplo da performance de qualquer outra divisa emergente.
A melhora do cenário político também contribuiu para o fortalecimento do peso. O presidente eleito Abelardo de la Espriella promete reduzir o déficit fiscal e controlar o crescimento da dívida pública, aumentando a confiança dos investidores nos ativos locais.
As medidas do BC refletem a crescente preocupação com a força da moeda. A ata da última reunião mostra que membros da diretoria avaliam que novos aumentos estariam no radar apenas se o diferencial de juros em relação a outros países crescer ainda mais, alimentando o carry trade. Mesmo assim, a autoridade manteve a opção de novos aumentos, alertando que um episódio severo do El Niño pode pressionar ainda mais a inflação. Em relatório recente, elevou a projeção de inflação para 2026 de 6,4% para 6,9%.
“O comunicado continua bastante cauteloso e com viés de aperto monetário”, comentou Ning Sun, estrategista sênior para mercados emergentes da State Street, em Boston. “Não vejo a decisão da semana passada como uma mudança para uma postura mais branda.”
O banco central pretende ampliar as reservas através de leilões mensais de opções de venda, começando com uma oferta de US$ 400 milhões. O mercado absorveu rapidamente o volume, sugerindo que o efeito imediato sobre a valorização da moeda foi limitado. Segundo Prieto, os resultados deverão aparecer ao longo do tempo, conforme as reservas forem aumentando.
Enquanto isso, o peso colombiano segue entre as poucas moedas de alto rendimento que combinam retorno atraente com cenário macroeconômico favorável. “O Brasil está perdendo parte do brilho como a principal moeda de carry trade da região”, observou Sun, indicando que investidores poderão buscar novas opções para substituir posições no real.
E você, acompanha esse movimento? Deixe nos comentários sua leitura sobre o peso colombiano e o carry trade neste cenário de juros e inflação, e compartilhe suas expectativas para os próximos meses.